domingo, 29 de junho de 2014

TOMIO KIKUCHI VERSUS G.OHSAWA


SEM FANATISMO NÃO EXISTE INICIAÇÃO, SEM RELATIVISMO NÃO EXISTE EVOLUÇÃO

Um dos motivos porque a macrobiótica ficou mundialmente famosa deve-se ao facto do professor George Ohsawa divulgar os seus ensinamentos de forma fanática, principalmente no Ocidente, ao falar de liberdade infinita, saúde perfeita, justiça absoluta, etc, e que o professor Tomio Kikuchi criticou muito, dizendo que não existe felicidade sem infelicidade, saúde sem doença, justiça sem injustiça,Yin sem Yang, etc.
A questão é saber quem têm razão. Será que o professor G.Ohsawa estava errado e o professor Tomio kikuchi certo, ou vice- versa?
Na realidade paradoxal ambos estão correctos, pois apesar de aparentemente opostos, eles são complementares.
Sem fanatismo inicial não pode existir iniciação, qualquer processo inicial precisa ser radical, por vezes fanático, mas permanecer no fanatismo sem aprender a relativizar impede a esperança evolucionária.

domingo, 15 de junho de 2014

YIN E YANG SÃO COMPLEMENTARES, BOM E MAU SÃO ANTAGÓNICOS


Ao fazer analogia entre Yin e Yang com: bom e mau, certo e errado, verdade e mentira, saúde e doença, ódio e amor, paz e guerra, felicidade e infelicidade, riqueza e pobreza, ignorância e inteligência, forte e fraco, Deus e Diabo, mestre e aluno, sódio e potássio, ácido e alcalino, etc. muitos mestres e sábios Orientais, na sua grande sabedoria quiseram fazer o impossível, o maior disparate, que é fazer uma tradução do Yin e Yang para o pensamento Ocidental, o resultado foi a confusão total, o misticismo generalizado e a desilusão total, assim as analogias de Yin e Yang são um grande equivoco, pois Yin e Yang não tem nenhuma relação com as palavras antagónicas Ocidentais, bom e mau, certo e errado, verdade e mentira, saúde e doença, ódio e amor, paz e guerra, felicidade e infelicidade, riqueza e pobreza, ignorância e inteligência, forte e fraco, Deus e Diabo, mestre e aluno, sódio e potássio, ácido e alcalino, etc.
O Yin e Yang Orientais são complementares e um potencializa o outro mutuamente, enquanto bom e mau Ocidentais são antagónicos e um despotencializa o outro mutuamente.
Para fazer isso teríamos de primeiro mudar todos os conceitos do dicionário Ocidental, pois no dicionário Ocidental o oposto nunca pode ser simultaneamente o seu complementar.
No dicionário Ocidental Deus não tem complementar, mas apenas o seu oposto, adversário, que é o Diabo.
O que seria da religião se disséssemos que o diabo não é o oposto de Deus mas o seu complementar, teríamos de por em causa todas as sacro-santas sagradas escrituras.
O que seria da medicina se disséssemos que o oposto da saúde não é a doença, mas que a doença é o complementar da saúde, teríamos de por em causa todos os livros feitos até hoje pela medicina.
O que seria da ciência se disséssemos que o oposto da incerteza não é a certeza, mas que a incerteza é o complementar da certeza, teríamos de por em causa todas as profecias ciêntificas.
O que seria da justiça se disséssemos que a injustiça não é o oposto da justiça, mas que a injustiça é o complementar da justiça, teríamos de por em causa todas as leis fundamentais de cada nação.
O que seria da ciência económica se disséssemos que a pobreza não é o oposto da riqueza, mas que a pobreza é o complementar da riqueza, teríamos de por em causa toda a ciência monetária mundial.

sábado, 14 de junho de 2014

SYU-HA-RI



No Japão, toda a educação chama-se “Do”, como o Judo, Iodo, Shodo, Aikido, etc.

Em todas as escolas que tem por objectivo a realização suprema do ser humano é preciso passar por 3 etápas, e chama-se: SYU-HA-RI.
SYU- É a obediência absoluta, ouvimos, escutamos o que diz o mestre, procuramos imitar o mestre, dependemos dele, dos seus ensinamentos, praticamos com obediência aboluta.
HA – É o distanciamento do DO, nesta fase esquecemos o DO, criticamos negativamente, esquecemos, por vezes é a revolta, é o ataque mesmo. Mas o que aprendemos deixa marcas, o que aprendemos não é perdido para sempre, nenhuma experiência foi em vão.
RI – É o desapego real, dentro da unidade. Cometemos erros, eles revelam o nosso discernimento, aclaram, o que compreendemos e assimilamos. Nós assimilamos profundamente o essencial dos ensinamentos. O discernimento está desenvolvido, não existe mais revolta, mas independência e gratitute infinita.

Depois de passar estas 3 fases somos livres. Alguns puritanos observam muito estritamente o que ensina o mestre, eles vão muito rápido, isso é bom no primeiro estágio. Mas depois eu não recomendo isso, sejam flexíveis, façam zizezaques.
Se vocês querem ir muito rápido, é como ir ao Japão pelo pólo norte, não vemos nada, se vocês passarem por Beirute, Teerão , Indias, Hong-Kong é muito mais interessante.
Não confiem que em vocês mesmos, no vosso discernimento supremo, façam o vosso caminho. Não acrediteis em nenhum mestre. Oiçam, pratiquem e compreendam por vocês mesmo. Sejam um homem livre.
Texto de George Ohsawa

domingo, 8 de junho de 2014

VOCÊS TEM AMIGOS INTIMOS?


Quantos mais amigos íntimos e inseparáveis vocês têm, mais vocês serão felizes.
Ganhar um amigo: nada de mais fácil. Vocês só têm que oferecer um presente, um cigarro, uma flor, um sorriso, uma chávena de café ou um copo de vinho…..um pouco de tempo ou de força. Dêem tudo o que vocês têm. Dar tudo o que vocês têm vai livrar-vos de todas as dívidas.
Mas todos estes presentes estimáveis em dinheiro, não vos daram mais que amigos passageiros e separáveis.
Para ganhar amigos íntimos, inseparáveis e eternos é preciso oferecer uma coisa sem preço, única e a mais preciosa: a vida ou a chave da vida eterna, a dialéctica prática da constituição do universo, que é inesgotável.
A vida é bela, divertida e fácil, já que existem tantas pessoas que ainda não encontraram a chave da alegria de viver, O PRINCIPIO UNIFICADOR: criminosos, bandidos, assassinos, ignorantes, miseráveis, doentes, ingratos. É por isso que eu viajo há 4 anos sem dinheiro.
Se você pudesse encontrar um amigo íntimo e inseparável em todos os lugares, você pode entrar no Reino de Céus. Caso contrário, você é um escravo, doente ou criminoso e você tem inimigos em todos os lugares, e está sempre com mais ou menos medo.

George Ohsawa - Revista Yin-Yang nº 58

EU NÃO CURO NINGUÉM




Mais uma vez eu digo: Eu não curo ninguém, nem consulto ninguém, sois vos que o fazeis.
Não há nenhum animal excepto o homem que dependa do seu companheiro cujo nome seja: Médico, enfermeiro, farmacêutico, curador ou espiritualista. Nenhum animal, insecto, peixe, passarinho, ou mesmo um piolho.
Se dependeis dos outros não sois independentes, e não tendes nenhuma liberdade fundamental, biológica, fisiológica e ainda mais sociológica.
Portanto não sois um homem livre, não sois mais homem, nem animal mas um fantasma ou Satanás.
Se eu não vos curo é porque eu vos considero um homem livre e independente.
É para a vossa felicidade e amor próprio. Eu não consulto ninguém. Eu não vos vou informar do vosso estado actual ou futuro que eu faço num piscar de olhos, e que vocês sabem ou sentem mais ou menos profundamente.
Se vocês se encontram num estado lamentável ou catastrófico, eu sou obrigado a vos repreender, lamentando a vossa ignorância da constituição do universo, se sois receptivo. Mas se sois exclusivista eu terei de esperar pelo dia.
Em todo o caso eu não vos posso curar, sois vós que vos podeis curar desenvolvendo o vosso discernimento supremo.
Para isso eu farei o meu melhor, mesmo que não me peçam.
Se puderdes curar-vos a vós mesmo, podereis orientar a humanidade inteira para a liberdade infinita, a felicidade eterna, a justiça absoluta.
Eu repito mais uma vez, eu não posso vos curar, sois vos mesmo que podeis vos curar de uma vez por todas.
É uma vergonha se não podeis vos curar, significa que vos esqueceste a liberdade infinita dada ao homem e a todos os animais.

George Ohsawa - Revista Yin-Yang nº 58

COMO INTERPRETAR OS 7 NIVEIS


1º Tudo evolui de forma espirálica, não voltando nunca ao mesmo ponto.
2º Quanto mais elevado o nível, maior a capacidade de influência.
3º Quanto mais elevado o nível, maior o número de vítimas.
4º A influência tanto pode ser directa como indirecta, consciente como inconsciente.
5º Em todos os níveis, do 1 ao 6, encontramos doentes, medrosos, inquieos, infelizes, criminosos, vítimas.
6º É possível determinar em que nível se encontra cada pessoa.
7º É a expressão omnisciente, omnipotente, omnipresente.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

PENSAMENTO MICROMACROBIÓTICO



                              
Uma das características mais importantes do pensamento micromacrobiótico e´que ele é principalmente paradoxal. O Pensamento paradoxal é baseado no pensamento oriental e foi assim nomeado pelo famoso psicólogo, Erich Fromm. De acordo com Erich Fromm, existem dois tipos de lógica.
Um deles é pensamento aristotélico, da lógica e o outro é o do pensamento paradoxal, que é baseado na lógica paradoxal .
A lógica aristotélica baseia-se na lei da identidade (A é A), na lei da contradição (não-A não é A), e na lei do exclusão do meio (X não pode ser A e não-A, ao mesmo tempo). Segundo a lógica de Aristóteles não existe frente e dorso interligados, mas apenas frente e dorso, separados.
Esta lógica é a base do pensamento científico.
Este axioma da lógica aristotélica está tão profundamente impregnada nos hábitos de pensamento ocidental que é vista como natural e evidente, enquanto, por outro lado, que a afirmação que X é A e não A, ao mesmo tempo parece ser absurda.
Mas se observamos com atenção constatamos que na realidade tudo têm duas faces, interligadas.
Tudo o que tem uma face, tem um dorso. Esta é a negação da lógica de Aristóteles e do pensamento Ocidental. Este teorema é uma negação da lei da exclusão do meio. Nesta figura, A é a frente da moeda X, e não-A é o dorso da moeda X. Dessa forma, A e não-A não são mais do que a manifestação do mesmo X. E assim, X não exclui nem A nem não-A.

O discernimento supremo é a visão de que todas a coisas têm frente e dorso interligados simultaneamente.
Do ponto de vista da micromacrobiótica,  o pensamento de Aristóteles – lei da identidade, lei da contradição, lei da exclusão do meio – é estático, e por esse motivo é válido apenas quando é aplicado de uma forma parcial e limitada aos fenómenos.
Por outras palavras, o pensamento de Aristóteles não permite ver a verdade dos fenómenos, apenas permite ver a parcialidade. O pensamento baseado nessa parcialidade, leva ao antagonismo e à guerra. Por outro lado, o pensamento paradoxal leva à verdade. George Ohasawa chamava o pensamento paradoxal de discernimento supremo.

O pensamento desenvolvido por Aristóteles não interliga o A com o não-A, o Yin com o Yang, o certo com o errado, o rico com o pobre, o preto com o branco, e viceversa. E não só não interliga, mas antagoniza-os. É um pensamento de antagonismo, separação e alienação. Não admira que a mentalidade ocidental, acreditando supersticiosamente na lógica de Aristóteles, tenha levado a um mundo de antagonismo, ódio, violência e crime.
Contrariamente a esse pensamento, o pensamento paradoxal supremo é um pensamento que não é excludente. Por esse motivo, através dele pode-se entender e explicar a totalidade dos fenómenos.