terça-feira, 25 de maio de 2010

Os que amam o feio

Os que amam o feio
G. Ohsawa
Traduzido por Rui Rato
Revista Principe Unique nº 51/ 1973

Eu gosto do feio, do mal, da injustiça, mais que a beleza, o bem e a
justiça;

Eu prefiro a fraqueza, a ignorância, a pobreza á inteligência, á força e á
abundância;

Eu gosto muito mais do malfeitor, o enganador, o mentiroso que o
benfeitor que não causa decepção.

Eu admiro tanto a fidelidade como a infidelidade,

Eu admiro mais a traição que a lealdade,

Eu gosto da revolta, o manifestante, muito mais do que os não-revoltados,
os que aceitam.

É a desigualdade, a hostilidade, e a escravatura que eu prefiro, á
fraternidade, igualdade e liberdade. É o caos que eu admiro mais que a
ordem.

O meu amor é o de amar a arrogância, a ingratidão, o não senso, muito
mais que a modéstia, o reconhecimento, e o bom senso.

(Você concorda? Tudo? Sem excepção).
(Nem uma só objecção?)
(Bom.. Muito bem, estou muito feliz).

Mas eu prefiro o infortúnio á felicidade, a dificuldade e o impossível e o
desagradável á facilidade.

Eu os amo, os admiro, os estimo muito mais que os seus contrários, sim
muito mais, muito mais, sim infinitamente e mil vezes mais.

Por quê?
Ah, aqui está o ignorante que amo tanto!
Por que não?

Se eu não gosto deles muito mais do que os seus contrários eu não
teria a razão de ficar aqui.

Se eles não existissem, era impossível que os seus contrários
existissem.

Eles não são que duas faces da mesma coisa.
Eles são a face e o dorso um do outro;

Se o dorso ou o interior não existisse, como pode a face existir?
Eles são complementares um do outro,
Eles são a parte de cima e de baixo um do outro,

Como pode a cabeça existir sem os pés?
O que eu amo é o dorso que suporta a face, ou a face que nós tanto
amamos.

Vocês amam a vossa mulher bela de face e feia de dorso?
Sim. Então vocês amam uma mascara.

Vocês gostam do vosso marido porque ele é bom?
Então o vosso marido será amado por muitas outras mulheres, como
vocês o amam.

Então a competição do amor é inevitável, elas as amaram também como
você ama o bom !

Vocês não sabem? Que pena!
Quando eu li "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde, uma linha me
surpreendeu.

Estou feliz",
É a frase de uma menina.

Com estas palavras, senti algo que me chocou, Ela é amada por Dorian
Gray. E ela disse: “Estou feliz”.

Esta felicidade, perguntei‐me eu, é isto a felicidade para ela. A
felicidade causada por uma única pessoa não é a verdadeira felicidade,
porque esta incita os outros ao ciúme e transforma‐se cedo ou tarde
em tragédia.

A felicidade ocidental é portanto a infelicidade dos outros?

Não é a felicidade no nível 7 nível(discernimento supremo).

Eu compreendo hoje, quarenta anos depois de ter lido “O Retrato de
Dorian Gray" de Oscar Wilde, que a felicidade Ocidental é a infelicidade
vista do 7º céu. Aqui está porque existem tantos crimes no Ocidente, a
guerra, os impostos, os gansters, etc.

Aqui está porque eu amo o Ocidente, eu que amo as dificuldades, como
um estudante de matemática ama os exercícios os mais difíceis.
Eu vos amos meus queridos “Civilizados”.

Vocês são mais cruéis, mais sábios, mais ignorantes, mais ingratos, mais
rudes que os “Primitivos”….

Estou louco de “Civilizados”...

Os extremos se atraem os civilizados e os primitivos.

Tudo é recíproco, tudo é complementar neste mundo relativo.
Os
civilizados também amam os primitivos.

Eles trocam os seus presentes…

Uns oferecerem conchas, pedras, chá, café, tabaco, fruta, a pele de um
cadáver de animal, e as contas, eles não têm outra coisa.

Os outros oferecem os licores, o cinema, os produtos de beleza, as
pistolas, as bombas, e instrumentos assassinos.

Os escuros e os coloridos são felizes com os produtos de beleza
vermelhos para as mãos e negros para os pés.

Os brancos são contentes com a pele de um cadáver, ou uma colher de
conchas, ou duma forma curiosa de fumar, com os frutos tropicais, que
nutrem a mentalidade primitiva, ou a preguiça que não trabalha a terra
(Já que eles são as crianças herdeiras da grande riqueza da natureza).

É a troca livre entre o pavão e o corvo.

É divertido de ver.

A realidade ultrapassa a ficção.
Olhai a cena.
É a cena a mais divertida, a mais apaixonante, impressionante da tragi-comédia
que nós iremos ver; a queda de uma grandiosa civilização.

Silencio, por favor.

Tirem o chapéu, e boa saúde.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mistificação da Macrobiótica

Mistificação da Macrobiótica
Tomio Kikuchi

Pode a macrobiótica ter utilidade se o princípio subjacente (Principio Unificador) que lhe dá origem permanentemente for relegado para uma importância secundária senão completamente ignorado?
A macrobiótica é apenas um nome para algumas técnicas que são a consequência directa da aplicação do que foi chamado Princípio Unificador pelo seu sintetizador, o professor George Ohsawa, com quem o Professor Tomio Kikuchi teve uma vivência discipular como director da Escola Ohsawa,“ Casa Ignoramus”, em Tóquio. A Macrobiótica não tem valor,se, for confundido o princípio básico que a suporta. E a urgência deste tema, deriva do facto, de que mais e mais pessoas estão a sofrer os efeitos da maior crise da civilização moderna, mais e mais. As pessoas se viram para a macrobiótica para uma solução efectiva, e muitas mais ainda estão desapontadas com a falta de resultados ou com o catequismo e o misticismo que tem pervertido a macrobiótica nas últimas décadas. A origem da adulteração desta iniciativa, basicamente educacional, em terapeutismo e misticismo sectário, assenta na inversão da predominância dos princípios sobre a técnica. Actualmente a principalidade normal do pensar sobre o fazer foi invertida e a nossa humanidade teve a sua sensibilidade degenerada num show de marionetas doente, violento e empobrecido.
Actualmente o Princípio Unificador da Relatividade Absoluta parece tão simples, de facto é a própria simplicidade, porque é o princípio da simplificação. Muitas pessoas acreditam que uma solução só aparecerá complicando o problema, enquanto que a realidade óbvia da natureza nos diz constantemente, que a solução está em ser capaz de simplificar todas as coisas, quando e onde for possível.
Mas a simplicidade é desprezada presentemente, senão ignorada, é considerada barata e tem pouco ou nenhum valor de mercado.
Porque é que a sociedade despreza a simplicidade? Será apenas uma questão económica numa sociedade orientada para o consumo? É claro que é também uma questão do tipo da cultura que a civilização moderna adoptou para si mesma. Mas também assenta na falta de um diálogo potente entre os inumeráveis e extremamente variados antagonismos, que compõem a Existência. Este diálogo advém de uma atitude que pode ser chamada dualismo monístico e pode promover a nossa sensibilidade, tomar conhecimento com um relacionamento a cada nível.
O corpo e a mente interactuam para gerar o indivíduo humano.
O homem e a mulher ligam-se para o nível conjugal da existência. Pais e filhos dão nascimento, lugar a uma família, teoria e prática formam um nível regional comunitário de vida. Civis e militares esquerdistas e direitistas defrontam-se perpetuamente pelo controle do nível nacional, o Oriente e Ocidente têm dificuldade em se encontrar para dar forma à Ordem Mundial Internacional.
A origem da dificuldade entre Oriente e Ocidente assente na forma diferente de obter clareza teórica e potência prática.
A capacidade civilizacional do Oriente derivou de uma concepção religiosa da realidade enquanto que a concepção científica da história Ocidental deriva das suas raízes Grega e Romana. Mas depois, influenciados pelas suas próprias incursões ao Oriente o Ocidente desenvolveu as suas próprias concepções religiosas e falsas concepções meio compreendendo a visão monistica unitária, da qual a verdadeira linguagem dos povos orientais é uma manifestação.
Com a sua própria linguagem predominantemente científica a civilização moderna ocidentalizada desenvolveu uma visão maniqueísta da vida, onde o Mal deveria ser vencido e apenas o Bom deveria reinar sem contestação.
E deste maniqueísmo nem a nossa actividade Macrobiótica parece ter escapado pois que cada vez mais supostos líderes macrobióticos espalham a palavra de que através da macrobiótica um indivíduo pode obter miraculosamente a saúde e a felicidade absolutas num mundo de paz total.
Isto é um erro absurdo, total charlatanismo.
Visto o risco que a nossa actividade educacional corre, de se tornar uma seita religiosa sem crédito, devemos afirmar claramente a importância de o processo indispensável para a manifestação de qualquer fenómeno na nossa existência de transformação relativa.
Exactamente como uma actuação teatral, as qualidades do protagonista não podem se completamente apreciadas sem, com a vileza do antagonista.
O mesmo acontece na nossa existência diária: a condição indispensável para a existência da paz é a existência da guerra. A condição indispensável para a existência da saúde é a existência da doença.
A condição indispensável para a existência da felicidade é a existência da adversidade.
A condição indispensável para a existência de Deus é a existência do Diabo.
A condição indispensável para a existência de segurança é a existência da ameaça.
A condição indispensável para a existência da transformação é a existência de formalidade.
A condição indispensável pai a existência da liberdade é a existência da repressão.
A condição indispensável pai a existência do equilíbrio é a existência do desequilíbrio.
A condição indispensável para a existência da convicção é a existência da dúvida.
A condição indispensável pai a existência da salvação é a existência da destruição.
A condição indispensável pai a existência do sucesso (evolução) é a existência do falhanço.
A condição indispensável para a existência do Paraíso é a existência do Inferno.
A condição indispensável para a existência do amor é a existência do ódio.
A condição indispensável para a existência da vida é a existência da morte.
A condição indispensável para a existência de vitalidade é a existência de desvitalização.
A condição indispensável para a existência de resultados é a existência dum processo e a condição indispensável para a existência de uma condição é a existência de um condicionamento.
Os supostos líderes da actividade macrobiótica, na maior parte do hemisfério norte, hoje em dia parecem ignorar este princípio básico da macrobiótica. Claro que é muito sério, para as pessoas em geral, não tomarem conhecimento desta realidade extremamente básica, óbvia e mesmo infantil.
Assim, cada vez mais pessoas estão a justificar mística ou tecnicamente a sua omissão das leis da relatividade (Principio Unificador) as quais constituem precisamente o mesmo erro fundamental que levou a humanidade e os indivíduos até ao seu estado crítico presente.
A totalidade dos grandes líderes históricos, foram obras-primas da dúvida, dificuldade e adversidade extremas.
O homem e a mulher que conscenciosamente confrontaram suas dificuldades durante as suas vidas, tornaram-se líderes para outras pessoas.
Afinal se não tivessem enfrentado o infortúnio para onde é que eles guiariam a humanidade?
Qual seria o papel de um verdadeiro líder, senão ensinar como transformar doença, pobreza e violência? E quem poderia desenvolver essa capacidade armado unicamente com sonhos teóricos e mistificados.
De Buda através de Ghandi a Mao Tse Tung, de Jesus através de Lincoln a Churchil, todos os grandes líderes do Oriente e do Ocidente, tiveram que se confrontar a sua precaridade pessoal face a enormes dificuldades.
O caso de Wiston Churchill é muito interessante para a nossa confirmação. Ele veio a ser considerado um dos mais proeminentes oradores da História. Os seus discursos governaram a maior parte da humanidade numa época crucial.
Mas durante a sua infância e adolescência, ele teve que enfrentar a humilhação e um sentimento permanente de inferioridade de cada vez que abria a boca para dizer fosse o que fosse. Todos os dias ele exercitou e trabalhou a sua dúvida enorme, num espelho.
Ele era um gago muito desafortunado.
Então talvez seja a falta de conhecimento da relatividade (Principio Unificador) óbvia da realidade, que está a fazer com que muitos líderes macrobióticos repetidamente abandonem suas famílias, onde o amor e a dúvida estão em diálogo permanente, para correr atrás do amor absoluto, sem um espinho sequer de insegurança ou infelicidade. Talvez seja falta de uma confirmação real palpável, da simultaneidade e da indivisibilidade de todos os fenómenos, que gera o facto que muito líderes latentes não estejam assumindo as bases da liderança ou seja auto-governamento individual. Isto reflecte-se no enfraquecimento das suas próprias condições globais e nas condições daqueles que o seguem de perto.
Talvez seja a ignorância dos simples facto da relatividade (Principio Unificador) que está a produzir a formação progressiva de uma seita que não pode dialogar efectivamente, com o resto da humanidade e preferirá formar antes um paraíso ilusório no cimo de alguma grande montanha onde a imaginatória paz absoluta, floresça alguma vez no futuro.
Ao mesmo tempo que esta campanha planetária para a autenticação da nossa actividade educacional, pode servir como um exemplo ilustrado, preciso, para os indivíduos que querem descobrir do que é que a Macrobiótica trata e também para aqueles que precisam como qualquer
outro de a redescobrir permanentemente.”

“Um trabalho está meio acabado quando começa bem”- Séneca

“Muitas pessoas que tentam aplicar os princípios da Macrobiótica, ou seja, o Principio da Relatividade Absoluta (Principio unificador), frequentemente se confundem com o conceito de Yin e Yang. Em muitos casos, há pessoas que fazem uso de palavras aparentemente inteligentes para se convencer a si mesmas e a outros de que eles, estão efectivamente fazendo uso de Yin e Yang em suas actividades diárias, mas mesmo assim, parece que nada funciona. Elas imaginam que estão aplicando este princípio, mas na realidade tornam-se mais e mais fracas, frequentemente caindo nas armadilhas (armadilha do dinheiro, da profissão, etc.), nas quais todo o resto da sociedade está sempre a cair. A razão desta falha é que não há uma compreensão básica sobre o que é realmente Yin e Yang.
Mesmo os supostos líderes macrobióticos espalhados pelo mundo, frequentemente acham que Yin e Yang significa o mesmo que Bom e Mau, dependendo das circunstâncias.
Se eles acham que uma pessoa está muito yin, eles lhe recomendarão yang. E, se lhes parece que uma pessoa está yang demais automaticamente recomendam yin. Isto é absurdo!
Esta compreensão a meias acontece por todo o mundo.
Por exemplo: recentemente houve uma comemoração no Centro Macrobiótico do Japão, com a presença de Mme. Lima Ohsawa e de diversos ex-colegas e ex-alunos do Prof. Georges Ohsawa, nosso falecido mestre.
Algumas pessoas falaram ao microfone e, na minha vez, tive que declarar, publicamente, dúvidas sobre a compreensão básica deles de Yin e Yang, após tantos anos.
Lembro-me de ter dito que o nosso Princípio Unificador nos diz que tudo que tem uma face, tem um dorso. E que tudo que tem um começo, tem um fim. Estas são premissas básicas do Princípio Unificador, conforme formulado por Georges Ohsawa.
Pois bem, disse eu, se isto é assim, então não pode haver paz sem guerra! Nem pode existir Deus sem Diabo ou felicidade sem desgraça, não pode existir doença sem saúde e nem saúde sem doença, portanto, continuei, que conversa é essa, de vocês, sobre paz, amor, felicidade e desenvolvimento espiritual como algo a ser conseguido através da Macrobiótica?
Yin e Yang são indivisíveis e simultâneos.
É tudo uma questão de proporcionalidade entre um e outro. Incrivelmente, muitas pessoas ficaram surpresas e até chocadas com esta observação simples e óbvia.
Quando uma pessoa tenta praticar a Macrobiótica sem entender a simultaneidade básica da realidade (Principio Unificador), ela se torna cada vez mais frustrada, seja por causa da falta de resultados ou seja pela superficialidade dos efeitos dessa prática. Mas, como a sua fé na Macrobiótica é aparentemente forte (especialmente se ela depende, para sobreviver, de um restaurante ou loja de produtos macrobióticos ou de um centro de estudos macrobióticos), ela continua a enganar as pessoas com a saúde e a felicidade parciais e charlatanescas. E na medida em que se torna mais e mais frustrada com essa insuficiência de compreensão, ela torna-se mística e começa a imaginar como era a vida há muitos séculos ou, como será bacana o mundo dentro de dois mil anos. É exactamente esse tipo de discurso que faz com que os jovens sérios da actualidade rejeitem a Macrobiótica. E eles têm toda razão!
A simultaneidade de Yin e Yang é a chave para compreender e aplicar utilmente este princípio simples. É claro que a simultaneidade vai estimular o aparecimento de diversas dúvidas entre os estudantes do Princípio Unificador.
Mas é assim mesmo que deve ser: a dúvida é a mãe da convicção e da compreensão autêntica. Não existe nenhuma outra porta para uma maneira útil de entender a realidade.
Onde quer que haja autêntica compreensão, existe uma dúvida muito maior ainda, sustentando permanentemente essa convicção!
Esta é uma maneira muito eficiente de se verificar a qualidade da compreensão de qualquer pessoa. Isso é especialmente válido hoje em dia, quando aparecem constantemente novos líderes e charlatães das mais variadas tendências.”-Tomio Kikuchi

Educação do Extremo Oriente

Educação do Extremo Oriente
George Ohsawa

O ideal da educação do Extremo Oriente é o “Zen” (Chi-nês) e “Zin” em Japonês, que não é outra coisa que o homem munido do Principio Unificador. No zen usam-se koans, os koans são enigmas absurdos, cuidadosamente preparados com o fito de fazer com que o estudante do Zen se aperceba, do modo mais dramático, das limitações da lógica e do raciocínio. O palavreado irracional e o conteúdo paradoxal desses enigmas tornam impossível sua resolução através do pensamento cartesiano. O carácter ideográfico de zen é composto por duas partes que significam: o homem e o princípio unificador. O estudo desta arte se chama “Do” em japonês e “Tao” em chinês. A palavra I-ching, o I significa Principio Unificador e Ching, grande livro.“Gyô” (Prática do principio unificador) deve ser praticado pelo menos durante dez anos. A prática do Principio Unificador é o verdadeiro “Vivere Parvo”, mínimo de comida, exercício e informação para o máximo de energia, circulação sanguínea e sapiência. O Principio unificador é a lógica do universo contrária á lógica dualista de Kant e René Descartes, rígida, dogmática, simplista, sentimentalista, contraditória, da ciência e da civilização moderna. Esta lógica é a causa de todos os males do mundo moderno. Todos os grandes mestres da humanidade, desde Jesus, Buda, Mahvira sempre se dirigiram as todas as classes sociais, de todas as idades, profissões, honestos e desonestos, escravos e pensadores. E como consequência falavam uma linguagem muito simples e acessível. Eles sempre empregavam analogias, metáforas e alegorias. Nascemos munidos de conhecimento analógico, intuitivo e instintivo (etimologicamnete, conhecimento = Co+ nascimento), foi o empirismo, a educação moderna que nos adulterou. Todos os grandes homens sem excepção eram grandes pensadores. Segundo o princípio Unificador não existe bom, nem mau, mas yin e yang que são antagónicas aparentemente e complementares na realidade. Tudo o que é antagónico e complementar é indispensável um ao outro. O bem e o mal não são mais do que resultado do nosso egoísmo sentimentalista. A prática sem um princípio teórico é sentimentalista. E o sentimentalismo não é suficiente, razão pela qual as religiões são muito pouco práticas, apesar de muito estimadas e admiradas. Para quem estuda e pratica o principio Unificador, o problema não é senão a portada solução. O princípio Unificador é o único princípio que abarca todas as contradições, antagonismos, religiões,filosofia, ciência, politica, etc.
A luz só ilumina no escuro, as inumeráveis estrelas não brilham durante o dia, os sábios não se encontram num pais de sábios, os milionários não são milionários num pais de milionários.
A liberdade imposta pela democracia economicista não é a verdadeira liberdade mas a ditadura do dinheiro. A liberdade salvaguardada pela lei não passa de escravatura. A paz salvaguardada pela lei não passa de paz imposta pela violência. A saúde estabelecida com o auxílio da medicina ou de algum instrumento é dependente, incerta e mendiga. Tal saúde é vergonhosa comparada com os animais, mesmo os menores e mais minúsculos. As ideias fundamentais da medicina sintomática, que somente tenta destruir os factores nocivos, são infantis, primitivas, incontroláveis, exclusivas e pré-copérnicas. Não pode existir frente sem dorso, o bem sem o mal, o belo sem o feio. A destruição total do antagonismo é um suicídio. A upressão total do feio, do mal e da escravidão significa a morte da beleza, da bondade e da liberdade. Se a união internacional das ligas femininas sentenciasse os homens à morte e os exterminasse, tal acção seria simultaneamente o suicídio de todas as espécies femininas. A liberdade tem a sua significância na escravidão e nas dificuldades. A beleza encontra a sua expressão somente na presença do desadornado. Trabalhemos, portanto, criando todas as dificuldades, todos os males, feiúras e desventuras para que possamos nos tornar livres, amoráveis, fortes e felizes. É como fazer da vida uma aventura, conforme disse Tom Sawyer.”A liberdade tem de ser encontrada dentro da escravidão. A verdadeira saúde pode ser mantida mesmo sob as condições menos higiénicas. Durante a guerra muitos exemplos disto podem ser vistos entre os soldados.
A felicidade pode ser encontrada no fundo do infortúnio. O lugar mais seguro durante um forte bombardeio é o mais próximo onde caiu a ultima bomba.Tanto quanto qualquer instituição médica, a medicina tem uma orientação negativa, pessimista e derrotista.
Deve ser bem compreendido que a liberdade somente pode ser encontrada e estabelecida na escravidão e no meio das dificuldades.
A felicidade não pode ser distribuída, mas estabelecida somente pela pessoa que a deseja; este mundo foi criado somente para os homens livres. Os que não são livres devem sofrer. O homem livre, forte, fiel e admirado, leva uma vida feliz mesmo entre as dificuldades e a violência. Somente enfrentando as maiores dificuldades poderá ele apresentar toda a sua ilimitada fortaleza. A felicidade deve ser encontrada somente no meio da escravidão. A mais linda flor de lótus cresce no meio da mais imunda lama.
Nada é verdadeiro, real ou infinito; tudo não passa de ilusão. Eis porque, certo dia, para surpresa de seus discípulos, Sinran disse: Mesmo o mais honesto pode ser salvo, por que não o desonesto?
Dar liberdade a alguém parece-nos ser muito beneficente, porém obstrói a germinação, a faculdade de liberdade quando então é um grande crime.
Se ajudar-mos diariamente algum mendigo dando-lhe o suficiente para viver, ele continuará mendigando durante o resto de sua vida. Estaremos cometendo um erro. Ademais, não poderemos sustentar milhares de mendigos. Tudo o que se pudesse fazer não passaria de um bem limitado e paliativo. Existem muitos grandes filantropos que morrem de cancro, o que quer dizer que eles não compreendem a maneira de viver correcta segundo o Princípio Unificador”-George ohsawa

Evolução Degenerativa


Evolução Degenerativa
George Ohsawa



“É sabido que a nossa civilização científica e tecnicista, e mesmo toda a humanidade, encontra-se à beira de uma catástrofe! O homem moderno está profundamente envolvido pelo ‘smog’ (mistura de fumaça e neblina) da incerteza, do medo político, sociológico e fisiológico, do medo a crimes atrozes, a doenças incuráveis das quais a mais temida é o cancro. Sem dúvida, os civilizados venceram ao revolucionar este mundo de escravidão e misérias e estabelecer uma brilhante civilização científica e tecnicista. O que é impar e sem precedentes em toda a história do homem. Todos nós a admiramos e amamos. Mas, quanto maior a face, maior o dorso. Esta civilização tão brilhante, e com ela toda a humanidade, estão ameaçadas a cada instante do perigo de explosão. Podemos perder tudo e pulverizar-nos!... Que lástima!

É uma pena a destruição de todo o processo civilizatório pelo desconhecimento das leis da vida. Mas e as leis produzidas pelo Estado? Elas não resolvem os problemas humanos?

Ao contrário, a Lei, por exemplo, que representa a maior violência, ataca seriamente os inimigos da sociedade, em lugar de amá-los, sobretudo os pobres. Tolera até a pena de morte para certos crimes. Por que ninguém apresenta a outra face? O inimigo rico escapa à lei por intermédio de sua poderosa arma: o dinheiro. Os ‘gangsters’ são, algumas vezes mortos, mas, na realidade, os verdadeiros criminosos que são os educadores, são raramente punidos pela justiça. Não seria mais sensato punir os criadores de ‘gangsters’ e delinquentes do que os próprios delinquentes e ‘gangsters’?

Acontece o mesmo com a medicina, que ataca os micróbios, os vírus e os outros inimigos imaginários do homem. No entanto, todos esses organismos são criações de Deus, exactamente como o homem. A medicina não os ama, nem pergunta por que Deus os criou, em primeiro lugar, e por que são recreados dia a dia, nem por que alguns são atacados por eles, enquanto outros não são. Parece que só a medicina oriental achou sua presença e existência no corpo humano saudável como algo natural no esquema das coisas. Acontece o mesmo com a indústria da guerra, conduzida em nome da Justiça, da Paz e da Liberdade, como se a Justiça pudesse ser destruidora, a Paz sangrenta e a Liberdade conquistada pela violência”- George Ohsawa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Errar, errar, errar para errar cada vez menos

Errar, errar, errar para errar cada vez menos

Jesus morreu crucificado, um fracassado completo aos olhos da sociedade e sua doutrina transformou o mundo. Van Gogh morreu sem vender seus quadros e é um dos mestres da arte ocidental. “O Rei da Vela”, peça que Oswald de Andrade escreveu em 1937, só veio a ser encenada em 1967 trinta anos mais tarde e ditou novos rumos ao teatro brasileiro. Antes de acender uma lâmpada, Thomas Edison ligou dez mil vezes o interruptor. Ridicularizado, reconhecia a utilidade de cada apagão: «Agora já sei mais um modo de não fazer a lâmpada». Pintores sem mãos pintam com a boca e os pés. Impossibilitado de tocar com a direita, o pianista João Carlos Martins grava com a esquerda. Nossos critérios de avaliação de resultados precisam ser reavaliados. Conceitos como “sucesso e fracasso”, “derrota e vitória”, “sorte e azar”, “felicidade e prazer”, “esforço e realização” precisam ser reavaliados

O sucesso nos ensina muito pouco, temos muito mais a aprender com o fracasso. Quando tudo dá certo, sabemos apenas que tudo deu certo, o que não nos torna aptos a repetir a performance em circunstâncias diferentes. A experiência frustrada nos induz à reflexão crítica sobre o processo. Verificando onde erramos, aprendemos muito mais sobre a maneira certa de fazer as coisas. Ter experiência é ter errado muitas vezes. Ter sabedoria é ter aprendido com esses erros. O fracasso tempera a personalidade, aguça a autocrítica e desenvolve a humildade, qualidades importantes na formação de um vencedor. São as quedas que nos dão a exacta dimensão do desafio de andar. Aquilo que é muito fácil não traz desafio, nem mérito. Só nos sentimos vitoriosos quando fazemos algo difícil de conseguir. Não existe vitória em escovar os dentes, a menos que se tenha que fazê-lo com os pés e existem pessoas que conquistam esta vitória todas as manhãs por necessidade. Quanto maior a dificuldade, maior a sensação de sucesso. “Ganhar de uma sós vez é mais gostoso”, dizem os fanáticos por desportos. A conquista de um título é valorizada pelo empenho e qualidade dos adversários. Arrancar em último lugar e chegar em primeiro é simplesmente o máximo. Não é à toa que a multidão tende sempre a torcer pelo mais fraco. A luta de Davi contra Golias teria ficado na história se Golias tivesse vencido? Erros e acertos, sucessos e fracassos, fazem parte de um processo de aprendizagem, através do qual nos preparamos para enfrentar situações novas e tomar decisões acertadas, que nos levarão a novos sucessos. Portanto, meus amigos, benditos sejam os erros. Louvado seja o erro! Pois sem eles não haveria acertos. Toda experiência é lição. Ninguém chega a um grau consistente de acertos a não ser pela via do erro. Se chegasse, seria anjo e não homem.

Todo o problema tem solução,que é um problema muito maior, crescendo cada vez mais.

Todo o problema tem solução,que é um problema muito maior,
crescendo cada vez mais.

Nascemos dependentes sem necessidade de nos preocuparmos com quase nada, pois a nossa sobrevivência básica está assegurada pela nossa mãe e pai. Á medida que crescemos e evoluímos crescem também os problemas. A vida é uma sequência natural crescente de problemas. Vamos para a escola e temos de estudar para aprender, porém à medida que aprendemos mais no ensino, este se torna também cada vez mais complexo, até ao nível universitário. Depois casamos e os nossos problemas aumentam mais, pois além de cuidarmos de nós temos de aprender a conviver com as diferenças e divergências normais, implacáveis, úteis do nosso/a companheiro/a. Depois procuramos ocupação profissional, e além de ter de conviver com o companheiro/a, temos de aprender a conviver com colegas de religiões e modos de vida diferentes, a vida até à morte é uma sequência inevitável de problemas e soluções crescentes. Não adianta pois ficar à espera de uma vida sem problemas, pois sem problemas não crescemos e amadurecemos.

Sobre o I-ching

Sobre o I-ching

O I-Ching é considerado o mais antigo livro de sabedoria do mundo ainda de uso corrente. Suas origens, na China pré-dinástica, são obscuras, mas seus conceitos foram utilizados durante muitos séculos antes de serem registados por escrito.

O título I-Ching é traduzido, geralmente, como o livro das mutações. Este aspecto de mudança é o que há de fundamental no I-Ching, ligado ao conceito de estados opostos complementares.

Apesar de o I-ching ser a base do Principio Unificador, não existe a necessidade de usar o I-Ching visto ser o Principio Unificador a sua simplificação e síntese. O próprio professor George Ohsawa não recomendava o seu uso, a não ser ler a introdução sobre a ordem do universo.

O filósofo chinês Confúcio não chegou a dominar o I-ching, apesar de o ter estudado anos a fio e ter trocado por três vezes as capas rotas.

Quando se lê esse livro quer seja no livro original quer nas traduções a sua interpretação é muito ambígua e subjectiva e o seu entendimento não raras vezes é muito confuso, especulativo e supersticioso.

Qualquer livro, ou fonte de conhecimento pode ser muito útil desde que tenhamos princípios, óculos mágicos para interpretar as informações nele contidas, caso contrário as informações contidas em qualquer livro ou fonte de conhecimento atrapalham muito mais que ajuda.

O génio é aquele que consegue simplificar o que é confuso.

O princípio Unificador é o único, o mais simples e mais profunda forma de pensamento encontrado até hoje na história da humanidade.

Não exclui nada, inclui tudo indivisivelmente: deus/diabo, saúde/doença, amor/ódio, guerra/paz, riqueza/pobreza, felicidade/infelicidade, sucesso/fracasso, etc .

É o único princípio capaz de resolver todas as questões quer sejam físicas, metafísicas, cientificas, religiosas, filosóficas, medicas, politicas, culturais, educativas, familiares, etc.

A cura de doenças

A CURA DAS DOENÇAS

Toda a doença tem uma razão para existir, ela se regulariza por si mesma, se não prejudicarmos os mecanismos naturais e normais de eliminação. O corpo tem um mecanismo chamado de homeostase (Walter Cannon), que é um mecanismo de auto regulação autónomo. Por vezes pensamos que o nosso corpo é ignorante e a nossa cabeça esperta, mas na realidade o corpo também tem inteligência instintiva muito mais evoluída na maioria das vezes que os nossos pré-conceitos idióticos e sentimentalistas, de querer acabar com a doença a qualquer custo, produzimos doenças mais graves e complicamos em vez de resolver o problema. A medicina através de suas mentiras geniais, nos faz crer que o útero da mulher é tão imperfeito, que cada um de nos está programado para quando adoecer, morrer se não tiver a intervenção de sua santidade: o médico, o cirurgião, ou qualquer outra especialidade médica divina. Hipócrates o pai da medicina usava o termo:”Vis medicatrix naturae” assim era chamada a força curativa da natureza. Essa força teria o poder de accionar os mecanismos de defesa do organismo sem nenhum auxílio exterior. Nesse caso, a conduta do médico deveria ser de espera, pois a própria natureza encontraria os caminhos e meios para restabelecer o equilíbrio perdido (ou seja, a homeostasia). Dizia ele: "Os poderes da natureza frequentemente realizam rápidas e belíssimas curas (...) Doenças graves frequentemente melhoram sozinhas (...) também em afecções crónicas este maravilhoso poder de cura realiza a autodefesa". O nosso corpo é a melhor farmácia do mundo.

As células do corpo humano morrem e renascem na quantidade de 30 biliões por segundo, significando que temos, um número igual de possibilidades de renascimento.

Nosso corpo é uma máquina perfeita, produz remédios gratuitos e necessárias 24 horas por dia, com enfermeiras e médicos de primeira sempre actuando em conformidade e nunca errando no tratamento.

Consegue produzir anticorpos, muito mais poderosos que os antibióticos, endorfinas mil vezes mais poderosas que a morfina que é um anestésico super poderoso, as endorfinas ajudam a ali­viar a dor, é essa produção de endorfinas que ajuda a mulher no parto.

Gintzler demonstrou que a produção de endor­finas aumentava claramente durante o parto e nos dias antecedentes. Produzimos saliva que é o melhor antibiótico, anti-can­cro, anti-doença, anti-médico que existe, muitos prémios Nobel poderiam ser adquiri­dos se os cientistas se debruassem só sobre a saliva. A saliva normal contêm gamaglobuli­nas que tem um papel fun­damental no con­trole da leucemia, devido à sua capacidade de coagulação do sangue, o interferon que con­trola as células cancerosas, a opiorfina, os cientistas testaram a opiorfina salivar in vivo humana em testes com ratos de laboratório, e descobriram que 1 grama do analgésico salivar natural tinha o mesmo efeito que 3 gramas de morfina quando a dor era induzida por uma substância química. Quando a dor era «mecânica» (através do teste dos alfinetes), era necessária uma dose seis vezes maior de morfina do que a de opiorfina para tornar as cobaias insensíveis à dor, a saliva ou liquido divido como é designada em japonês (Shin-eki), possui ainda um harmónio que retarda o envelhecimento, chamado parotina. Não precisamos gastar dinheiro. Já possuí­mos tudo, é só usar.

O professor George Ohsawa dizia:” Mesmo se comer porcarias se mastigar mil vezes não existe perigo”

A palavra que a língua japonesa utiliza para “mastigação” significa “bom entendimento”.

A mastigação é um dos melhores potencializadores nutricionais que existe.

O amido contido nos carboidratos só é adequadamente digerido pela acção da ptialina salivar que se encontra na saliva. O que significa a digestão dos amidos se faz principalmente na boca. Quem se alimenta de cereais integrais e não mastiga não absorve satisfatoriamente.

Os alimentos bons se tornam mais saborosos á medida que mais mastigamos, os maus o contrario.

Os indivíduos da comunidade Hunza dos Himalaias são conhecidos por sua longevidade e prática da mastigação.

Noboru Muramoto diz que o Dr. Ogata descobriu que a mastigação revitaliza o corpo porque activa as glândulas parótidas, localizadas em cada lado das mandíbulas, abaixo dos ouvidos. Quanto mais mastigarmos, mais activas as glândulas se tornam, produzindo o hormónio parotina. Se se mastigar poucas vezes, o hormónio é engolido e destruído no estômago. Mastigando bem faz com que o hormónio parotina seja absorvido pelo sistema linfático. O hormónio renova as células, afectando o sistema endócrino glandular e rejuvenescendo o corpo inteiro.

O Dr. Ogata extraiu o hormónio parotina da saliva da vaca e o injectou em alguns pacientes, em poucos meses esses pacientes tinham a aparência dez anos mais jovens. Mas, com o tempo, os efeitos rejuvenescedores diminuíram porque o hormónio era apropriado para vacas, não para seres humanos. Cada um de nós pode mastigar bem e produzir seus próprios hormónios rejuvenescedores.

”Parece que quanto mais mastigo mais tempo tenho! Completo minhas tarefas com maior rapidez e eficiência. O relógio passou a ser meu aliado.” Jane Quincannon

“Salivação é salvação”-Tomio Kikuchi

O corpo produz probióticos vitais, a medicina antibióticos fatais. O cérebro segrega e produz moléculas neuro-endócrinas com várias funções: excitantes, calmantes, analgésicas, alucinogéneas, acti­vadoras do sistema imunitário, etc.
Assim um tranquilizante só é eficaz porque consegue imitar um produto naturalmente segregado pelo organismo, porque existe já no organismo a capacidade de expressar a tranquilidade. Os medicamentos químicos copiam as moléculas naturalmente produzi­das pelo organismo e provocam, em princípio os efeitos desejados. Através de investigações produzidas por Richard Squires (da compa­nhia farmacêutica de Ferrosan) e Claus Braestrup (do hospital mental de St.Hans, em Roskilde, na Dinamarca), tornou-se evi­dente que as benzodiazepinas funcionam porque têm efeito semelhante nos receptores do cérebro. E se um receptor de benzodiaze­pina se encontra no cérebro, deve haver tam­bém algum tipo de benzodiazepina natural nesse receptor. Isto é o cérebro as produz.

Auto-cura espontânea

Por exemplo ao sentirmos dor de cabeça isso se deve a que algumas células da região do cérebro se encontram dilatadas e por isso oprimem as terminações nervosas. Ao sentir essa dor, que geralmente é provocada por excessos na activi­dade digestiva, fermenta­ções e principalmente gases (gás carbónico), a pessoa imediatamente sente vontade de ficar no escuro, sem barulho, sem comer, sem fumar, sem beber nada. Se a pessoa se mantém assim durante certo tempo, as cau­sas da dor desaparecem e com elas a dor.
Por incrível que parece, o que acontece com a dor de cabeça é o mesmo que ocorre com quase cem por cento dos casos de interferên­cia médico/hospitalar onde quem cura é a natureza e quem leva o dinheiro pela con­sulta é o médico.
Medicina na maior parte das vezes, excepto nos casos traumáticos de acidentes e em alguns casos agudos de pessoas sem carta de condução, não é mais nem menos do que dis­trair o doente enquanto a natureza faz o seu trabalho.
Poucos de nós conhecemos a dimensão das nossas forças. Apenas se formos obrigados a atingir os nossos limites, descobrimos o que somos capazes de fazer.
Consideramos, por exemplo, o caso da jovem mãe cuja filha ficou debaixo da roda traseira de um automóvel. Não havia nenhum homem forte à disposição para ajudar a salvar a criança e a mulher sabia que na altura em que chegasse o equipamento a filha estaria provavelmente morta. Por isso resolveu o problema sozinho. Levantou o carro e liber­tou a filha. Depois disso nem conseguia acreditar no que tinha feito.
Uma história mais exótica reforça este aspecto. Um zoólogo a trabalhar em África ficou alarmado ao descobrir que estava sendo perseguido por hienas: Compreendeu que sua única esperança consistia em saltar e fugir do alcance dos animais. Por isso quando se aproximou de uma árvore a jeito, saltou para cima, segurando-se a um ramo e ficou pendurado em segurança. Foi apenas ao des­cer umas horas depois que percebeu que sal­tara perto de quatro metros no ar. Quando, por fim, conseguiu voltar ao solo, tentou sal­tar novamente para a árvore para ver se o conseguia fazer. Não conseguiu sequer che­gar perto do ramo onde passara a noite. Um agricultor de 70 anos, acordou ao descobrir que a sua quinta estava a arder. Incapaz de fugir, saltou para o telhado e caminhou cerca de nove metros por um fio de telégrafo. A seguir desceu pelo poste telegráfico para o chão. Nunca andara na corda em toda a sua vida.
A absorção de ferro é de apenas 5 a 10% da dieta (cerca de 1mg) por dia, para equilibrar com exactidão a quantidade perdida. A quan­tidade de ferro absorvida pode aumentar até 5 vezes, se as reservas de ferro no organismo estiverem baixas, a quantidade de absorção diminui em estados de sobrecarga.
A absorção de cálcio com uma dieta normal é de cerca de 30%, com uma baixa ingestão de cálcio a absorção aumenta até quase 90%. Estes são exemplos de homeostase orgânica.

Não precisamos pois de suplementos, a carência nos suplementa e completa.

Febroterapia:

1. Uma elevação de temperatura que provoca uma taquicardia e um aumento da pressão arterial.

2. A elevação térmica tem um efeito de fluidi­ficação, processo que facilita a circulação de todos os humores, líquidos orgânicos, e intercâmbio entre os líquidos do organismo.

3. A febre participa, também activamente na mobilização e na dissolução dos resíduos, como é o caso de cristais de urato fixados nas articulações (gota, artrite) e os arrepios favo­recem a drenagem linfática.

4. A fase catabólica (decomposição e elimina­ção) cresce consideravelmente durante a febre, e um processo de autólise selectiva., (destruição de certos tecidos para produzir energia) exerce-se, prioritaria­mente, sobre os tecidos mórbidos ou pouco úteis (gorduras e tumores) é este fenómeno que explica a acção “auto cirúrgica do jejum”.

5. O aumento da circulação em todos os teci­dos do corpo favorece a nutrição e, sobre­tudo, a drenagem e a eliminação das toxinas (transpiração, urinas carregadas e fezes féti­das).

6. Verifica-se uma aceleração da glucólise: diminuição da taxa de açúcar no sangue, o que diminui o risco de infecções e favorece a actividade dos glóbulos brancos (leucócitos).

7. Desenvolve-se anemia, apesar dos níveis adequados de ferro.

8. Produz-se no início uma rápida hipergama­globulinemia, o aumento das gamaglobulinas que têm um papel importante na viscosidade do sangue, tornando o sangue mais espesso, e enzimático devido à sua capacidade de coa­gulação.

9. O fígado aumenta a capacidade de síntese de proteínas.

10. Redução do ferro sérico, que faz diminuir a velocidade de crescimento de vários microrganismos, bactérias e de algumas células tumorais que têm necessidade espe­cífica de ferro sérico como factor de cresci­mento. Daí o motivo dos cancerosos fica­rem anémicos, como processo de auto cura.

11. Aumenta a produção de interferon, que têm propriedades antivirais e anti-tumorais, é usado sinteticamente para o tratamento de Leucemia de células pilosas, Leucemia de mielóide crónica, Mieloma múltiplo, Lin­foma cutâneo das células T, Linfoma culicular das células B, sarcoma de Karposi, Carci­noma de células renais, Síndrome Carci­nóide, etc., contudo o interferon ele é pro­du­zido gratuitamente e de muito melhor quali­dade no sangue.

12. Aumento do metabolismo dos lipídios (gor­duras).

terça-feira, 11 de maio de 2010

A verdade é paradoxal

A verdade é paradoxal

Duas afirmações contraditórias são ao mesmo tempo verdade. Isto é impossível na lógica cartesiana. Aceitar o paradoxo é um dos segredos da vida. Existe a verdade feminina e a verdade masculina. No universo onde tudo muda e se transforma no seu oposto e complementar, o paradoxo é a regra.

O Paradoxo da Escolha: porque mais é menos

“No seu livro de 2004, intitulado The Paradox of Choice: why more is less (O Paradoxo da Escolha: porque mais é menos) – não constatamos a existência de tradução deste livro para o português, Barry Schwartz (Psicólogo, Professor de Teoria Social e Acção Social da Swarthmore College, Pennsyvania, EUA) lida com um dos grandes mistérios da vida moderna: por que é que as sociedades de grande abundância — onde aos indivíduos são oferecidas mais liberdade e opções de escolha (pessoal, profissional, material) que antes — estão agora testemunhando uma depressão beirando uma quase-epidemia? A sabedoria convencional nos diz que mais opções de escolha é melhor para o bem de todos, mas o Prof. Schwartz argumenta exactamente o oposto. Ele defende que a abundância de opções de escolha no mundo de hoje está cada vez mais nos tornando seres infelizes.”

Paradoxo da informação desafia modelo de progresso

No início do século 21, mundo vive um curioso paradoxo: nunca houve tanta informação nem tanta gente desinformada. A avalanche de informações sem qualidade é um desafio para quem quer um novo modelo de progresso, defenderam palestrantes da Icons 2003. Marco Aurélio Weissheimer, Agência Carta Maior, 27 de outubro, 2003
O cineasta alemão Wim Wenders comentou certa vez, ao se referir à avalanche de informações progressivamente alimentada nas últimas décadas: de que me adiantaria receber cem jornais por dia? Ficaria mais informado? O comentário irónico de Wenders foi lembrado pelo economista Ladislau Dowbor, professor titular da PUC de São Paulo e da Universidade Metodista do Estado de SP, durante o painel “Redefinindo Prosperidade e Progresso”, que abriu os trabalhos da Icons 2003 – Conferência Internacional sobre Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, nesta segunda-feira (27), em Curitiba. Cerca de 700 pessoas acompanharam os debates que apontaram os desafios para a construção de um novo modelo de desenvolvimento e de novos indicadores de prosperidade. Um deles é a necessidade de superar a fragmentação dos sistemas de informação que despejam diariamente milhares de dados sobre nossas cabeças, prejudicando uma compreensão mais consistente e lúcida daquilo que nos cerca. Para Dowbor, o actual sistema mundial de produção e distribuição de informação está baseado em um modelo irracional que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade.
Essa situação teria gerado um curioso e perverso paradoxo: nunca houve tanta informação bombardeando nossos sentidos e nosso cérebro, mas nunca também houve tanta desinformação, seja pela simples ausência do direito à informação, seja pela dificuldade em elaborar sínteses satisfatórias acerca dos problemas que dizem respeito directamente à vida das pessoas. Assim, quando se fala de direito à informação, não está se falando apenas de um direito básico de acesso (que, de fato, é negado a milhões de pessoas), mas também do direito a uma informação de qualidade. O professor Dowbor lembrou uma declaração da Unesco, segundo a qual existe uma grande diferença entre ter um direito e poder exercê-lo. No caso da informação, quem não tem acesso a ela – ou tem um acesso defeituoso – não tem como acessar seus demais direitos.

O Paradoxo do Valor

Nada é mais útil que a água; mas esta não comprará nada; nada de valor pode ser trocado por ela. Um diamante, pelo contrário, tem escasso valor de uso; mas uma grande quantidade de outros bens podem ser frequentemente trocados por este.

A economia mundial é baseada no princípio da escassez do trabalho, seguindo os princípios do “paradoxo do valor”. Por exemplo, não existe razão nenhuma para que o ouro valha mais do que a água, porque sem água o Homem morre à sede, e sem ouro o Homem poderia sobreviver sem problemas. Da mesma forma, e segundo o paradoxo do valor, e em termos gerais, o trabalho sempre valeu mais que o ser humano, e com a globalização, a discrepância valorativa entre o trabalho e o Homem aumentou de forma geométrica.

domingo, 2 de maio de 2010

Auto-educação Ternária x Macrobiótica

Auto-educação Ternária x Macrobiótica

Dar nome aos “bois” não é uma tarefa qualquer, senão uma arte das mais requintadas, haja vista os apuros em que se meteu George Ohsawa quando tratou de rebatizar o movimento que liderava.

Os fundamentos do que ensinava, Ohsawa extraiu-os todos da organização Shoku-Yo, a cujos quadros pertenceu na década de vinte do século passado. Segundo Herman Aihara, “shoku” significa “toda espécie de matéria e energia que nutre o homem livre”, enquanto “yo” designa “o caminho para nutrir-se munido do conhecimento de shoku”.

Quando, em 1948, formou propósito de ensinar pelo mundo afora, Ohsawa considerou estratégico europeizar o nome do movimento. Como poderia, entretanto, por melhor poeta que fosse, traduzir em poucas palavras a informação contida na expressão “shoku-yo”? A língua japonesa revelou-se-lhe então, talvez como nunca, um estopim sonoro capaz de deflagrar explosões de significado.

Diante de tarefa talvez impossível, Ohsawa se viu tentado a apropriar-se de um termo já existente. Em 1860, quando decidiu publicar sua obra máxima, o médico alemão Christolph Wilhelm von Hufeland não fez por menos: reavivou dois radicais gregos e uma universal aspiração humana, intitulando-a Makrobiotik oder die Kunst das menschiliche Leben zu Verlängern (Macrobiótica ou a Arte de Prolongar a Vida Humana). Ohsawa, obsedado naqueles tempos do pós-guerra pela idéia de desniponização, decidiu enfim vestir com roupa alheia o singularíssimo corpo de sua doutrina. Estava instalada a barafunda!

A Macrobiótica de Von Hufeland não era senão uma dieta para alcançar a longevidade. Pronunciado o vocábulo “macrobiótica”, ainda hoje são essas mesmas ideias que, de pronto, despertam em nosso cérebro. Os dicionários confirmam esse fenómeno. Lê-se no de Aurélio que macrobiótica é a arte de prolongar a vida por meio de determinadas regras de alimentação. O de Houaiss não vai muito além, acrescentando apenas que se trata de “regras dietéticas japonesas”. Duas teclas insistentemente percutidas: dieta e longevidade, dieta e longevidade, dieta e...Ironicamente, o que essa melodia sem-graça consegui fazer foi espalhar pela superfície do planeta, em vez de Matusaléns*, milhares de Pantagruéis**.

Quanta diferença entre os termos Macrobiótica e Shoku-Yo! Enquanto o primeiro alude à “dieta”, o segundo refere-se a “toda espécie de matéria e energia”; enquanto o primeiro alude à “longevidade”, o segundo refere-se ao “homem livre”. Ou seja: os “meios” do movimento Shoku-Yo não são apenas os alimentos físicos, mas também, podemos inferir, os alimentos sentimentais e mentais; seu “fim”, por outro lado, não é apenas a longevidade, mas o “homem livre”, isto é, aquele que se realiza em todas as direções contando, principalmente, consigo próprio.

A expressão Auto-Educação Ternária, que veio substituir a palavra Macrobiótica, procura recuperar e aprofundar o significado original do termo Shoku-Yo. O homem livre seria aquele que aproveita as dificuldades fisiológicas, afectivas e intelectuais para desenvolver-se. Aprendendo gratuitamente com as ameaças, ele descobre, sozinho, os segredos da vitalidade: auto-educação. A qualificação “ternária” aponta para a importância de se considerarem não só as três espécies de alimentos – mental, emocional e físico -, mas também os três sistemas a elas relacionados: nervoso, circulatório e digestivo. Impossível desenvolver-se sem desenvolver os três sistemas simultaneamente. Impossível desenvolver-se sem atinar na quantidade e qualidade das palavras, dos relacionamentos e dos alimentos que nos mantêm vivos. Ohsawa, a propósito, mesmo escrevendo em condições adversas, seja em sótãos da capital francesa, seja em rústicos bangalôs africanos, seja em frágeis embarcações indianas, sempre com o sentido de urgência, nunca deixou de mencionar em suas obras a “alimentação, o discernimento e a atividade física” como alicerces da auto-realização humana. Com boa vontade, podemos ver aí um esboço da visão ternária: a alimentação, relacionada principalmente ao sistema digestivo; o discernimento, relacionado principalmente ao sistema nervoso; e a actividade física, relacionada principalmente ao sistema circulatório. O que realmente lhe faltou foi um nome que oferecesse ao menos uma pista desse ponto de vista abrangente.

Não atribuamos à desastrada escolha de Ohsawa a totalidade dos desvirtuamentos de que somos testemunhas. Mas não duvidemos de que uma denominação mais adequada teria feito muito por nós.
Texto: Textos Interessantes - Site do restaurante metamorfose