quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bases alimentares da terapia global - Tomio Kikuchi


Bases alimentares da terapia global


Estas recomendações são o padrão básico da dieta normal que pode ser adaptado em quan­tidade e variedade, segundo as necessidades de cada pessoa, variando-se de acordo com o sexo, a idade, o tipo de constituição física e mental, o clima, o meio ambiente, as condi­ções actuais da pessoa, etc…
Qual o significado de uma alimentação ade­quada? Uma alimentação adequada deve possuir as seguintes qualidades:

Principalidade e

Complementariedade


Há milhares de anos que todas as culturas humanas mantém, em sua pauta de hábitos, um tipo de alimento como alimento principal e outros alimentos como pratos complemen­tares. Isso foi até menos de um século atrás, quando ocorreu um grande movimento de industrializa­ção e mercantilização dos ali­mentos, na socie­dade humana. O alimento principal dessas culturas sempre era um cereal, pelo menos nas civilizações de certa relevância. Os pratos com­plementares ou secundários eram geralmente compostos de uma variedade de vegetais. A ideia e o hábito do uso de um alimento principal é coisa totalmente perdida entre os civilizados da actualidade.

Integralidade


A responsabilidade pelos alimentos passou, nos últimos cem anos, das mãos da mulher da casa, mãe ou esposa, para as mãos do dono do supermercado ou da indústria de alimentos. Essa transferência, que obedeceu ao processo de mercantilização geral dos alimentos, transformou as substâncias ali­mentares do homem em mercadorias cuja convivência ficou determinada pela facili­dade em transportar, armazenar e comercia­lizar. Dessa maneira, os alimentos em geral foram refinados, alterados e falsificados até um ponto extremo, mudando completamente a sua composição e o efeito que tem sobre o organismo vivo. Uma alimentação adequada deve considerar a maneira como nossa mãe, a Natureza, nos apresenta seus produtos. Devemos absorver os alimentos com a cons­ciência de preservar suas partes nutritivas, desenvolvendo uma culinária que respeite a ordem original dos alimentos.
Por isso mesmo, devemos limpar a cenoura sem retirar a sua casca nutritiva. Devemos consumir os grãos de cereal sem extrair-lhes a película e o germe alimentícios, etc.
A partir dessa atitude podemos, certamente, evitar alimentos altamente industrializados e, ainda, os alimentos processados e comer­cializados pelo moderníssimo negócio dos alimentos "naturais" que, inevitavelmente acaba obedecendo às mesmas "necessidades" de qualquer outra indústria: criar consumi­dores dependentes.

Equilíbrio

Tanto os animais irracionais como o homem respeitam as necessidades orgânicas de pro­mover um equilíbrio entre os componentes da sua ali­mentação. Nós o fazemos esponta­neamente, por exemplo, contrabalanceando um excesso na ingestão de sal, através de um aumento no con­sumo de água, para compen­sar. Justamente, o sal e a água são elementos que estão em permanente equilíbrio dentro do nosso organismo. Se por um ou outro motivo tentamos escapar dessa ten­dência equilibrante/desequilibrada entre sal e água, adoeceremos.
Da mesma maneira, quando uma pessoa ingere uma quantidade excessiva de carne, logo em seguida desejará comer alguma coisa mais relaxante e refrescante, como as frutas, saladas ou líquidos gelados.
É impossível e fantasioso manter-se absolu­tamente equilibrado o tempo todo, sem dese­quilibrar em nada. O que é importante é a maneira mais controlada ou descontrolada em que vivenciamos o nosso desequilíbrio.
Basicamente, para o homem o equilí­brio/desequilíbrio na alimentação se faz atra­vés dos alimentos que produzem energia e os que produzem relaxamento. Em outras pala­vras, ali­mentos positivos e negativos ou ali­mentos yin e Yang que, numa corrente alter­nada e Simultânea, faz funcionar nossos aspectos antagónicos (como trabalho físico e mental) numa Simultaneidade indivisível.
É claro que os Critérios de equilíbrio e dese­qui­líbrio são fundamentais para que os pro­cessos fisiológicos e psicológicos funcionem normal­mente. Por exemplo, o ideal não é ten­tar incons­cientemente que o corpo se satis­faça com um equilíbrio de extremos, sem a alimentação neutra como principal. Espe­cialmente nos casos de fun­cionamento anormal psicofisiológico, é interes­sante que o equilíbrio tenda a ocorrer de maneira mais simples e digerível.
Chamamos de alimentos yang aqueles que pro­movem energia e yin aos que promovem o rela­xamento. A alimentação correcta é aquela que acontece entre alimentos que não extremamente Yin nem extremamente yang. O ideal também e que o alimento principal seja o mais neutro pos­sível, ou seja que con­tenha simultaneamente yin e yang, positivos e negativos, que precisamos para trabalhar e descansar, pensar e actuar, ins­pirar e expirar e em outras palavras, realizar ade­quadamente nossa existência dentro dos inúme­ros pares de antagonismos que compõem a nossa vida.
Além dessas três condições básicas (Princi­palidade/Complementariedade e integrali­dade e Equilíbrio), e interessante que a ali­mentação seja enraizada na tradição alimen­tar da civilização humana. Por exemplo, durante milhares de anos, o cereal foi o ali­mento básico para a maior parte das Cultu­ras. No Extremo Oriente consumiu-se o arroz, em quase toda a região da União Sovié­tica, o trigo/sarraceno, na Europa e boa parte da Ásia o trigo, a cevada e a aveia, na Amé­rica o milho, etc.
Passemos, agora, a analisar sinteticamente as recomendações padronizadas, para uma ali­mentação baseada em princípios alimentares condizentes com a existência humana.
Os alimentos principais são aqueles que se inge­rem na proporção superior a 50 por cento da dieta total. Geralmente, se recomenda que a pro­porção entre o principal e o secundário, seja de 60/40 por cento. A proporção de pra­tos principais pode aumentar até 70, 80 ou mais por cento, mas recomendamos que sejam sempre mantidas a principalidade e a complementariedade.
Sugiro a leitura do livro: A arte fundamental da vida de B. Kikuchi, um dos livros mais autoriza­dos da cozinha de Culinária Macro­biótica já publicados, onde se encontrarão todas as reco­mendações bási­cas, bem como receitas para a preparação adequada dos ali­mentos.

Arroz integral cozido


O arroz integral cozido é a base da nossa dieta.
Deve ser utilizado diariamente como ali­mento principal e, da sua forma de prepara­ção, dependerá essencialmente o nosso estado físico e psíquico. Sendo o prato prin­cipal, o arroz deve ser preparado apenas com água e um pouco de sal marinho. Não se lhe deve adicionar quaisquer condimentos, a não ser, depois de pronto, no momento de servir, podemos acrescentar uma colher de café de gersal ou ameixa umeboshi amassada com umas gotas de shoyu ou furikake (condi­mento salgado em pó, feito com vegetais picados, refogados e tostados). A adição de condimento na mesa deve ser feita ocasio­nalmente e com moderação e não tentanto alterar o gosto relativamente neutro e adoci­cado do arroz integral. No livro arte fundamental da vida, serão encon­tradas diversas receitas precisas sobre como preparar o arroz diário, bem como a prepara­ção de arroz para ocasiões especiais.
As pessoas que padecem de problemas hepá­ticos devem abster-se de ingerir gersal pelo conteúdo de óleo proveniente da semente de gergelim. Aqueles que estiverem com sinto­mas de afecção renal também devem abster-se do gersal ou usá-lo apenas raramente para evitar os efeitos negativos do sal sobre os rins, neste caso, excepto em alguns casos de constipação.

Arroz integral cozido com feijão azuki


Apesar de que esta preparação é considerada como alimento principal, não deve ser con­sumida diariamente e as pessoas portadoras de quaisquer problemas intestinais devem evitar o seu uso.
O feijão azuki é um tipo de feijão mais posi­tivo (yang) e não tem o efeito negativo sobre o apa­rato digestivo que a maior parte dos outros fei­jões. Inclusive, o feijão azuki é um excelente diurético que estimula e favorece a regeneração de uma condição renal precária. De qualquer forma, o feijão azuki não deve ser consumido mais do que 3 ou 4 vezes ao mês, para a pessoa que vive na cidade com uma tendência mais para a vida sedentária. Se os feijões são consumidos em quantidade excessiva, o seu efeito é prejudi­cial, sejam eles do tipo azuki ou não. A tendência da Macrobiótica charlatã que prolifera no mundo é de se recomendar o consumo de feijão e outras leguminosas diariamente para que haja "um bom aproveitamento de proteí­nas". Isso é incorrecto pois o homem, como muitos outros animais principalmente vege­tarianos, podem perfeita­mente obter as pro­teínas necessárias a partir dos vegetais ricos em hidratos de carbono, sais minerais e clo­rofila. Vejam o exemplo do cavalo que, mesmo sendo um tremendo animal, pode se alimentar apenas de pasto verde e palha.
Especialmente as pessoas que têm uma certa tendência à debilitação digestiva, com pro­blemas de gases, diarreia ou intestinos soltos, bem como aqueles com tendência às hemor­róidas, devem limitar ou anular o seu con­sumo de feijão azuki ou quaisquer outras leguminosas até que a situação digestiva se normalize.
É preciso tomar um pouco de cuidado, pois actualmente existe um tipo de feijão cha­mado de "azuki" que é de fácil cultivo e rápida comercialização mas cujo efeito na dieta é bem diferente do feijão azuki verda­deiro. O feijão azuki autêntico é um grão quase redondo, de pele brilhante, da cor ver­melho bordô, com uma pintinha branca num dos lados. Não tem a forma mais alongada do falso "azuki".

Creme de farinha de arroz integral tostado ou farinha de sarraceno

 

Esta preparação utiliza a farinha de arroz cujos grãos foram previamente tostados e depois passados por um moinho de cereais. A farinha de sarraceno não deve ser feita com grãos previamente tostados pois este grão já é um cereal yang e tostá-lo o tornaria exces­sivamente yanguizado para a pessoa normal. O mingau de arroz pode ser preparado lavando os grãos e tostando-os numa frigi­deira na noite anterior, deixando-os descan­sar até a manhã seguinte para então moê-los e, com essa farinha, preparar o mingau. A farinha de arroz moída há vários dias possui um grau de oxidação das partículas que podem alterar completamente a qualidade da preparação. No caso de ter-se em casa farinha moída já há certo tempo, recomenda-se tostá-la levemente numa frigideira antes de adicioná-la à água para o mingau.
Com a farinha de arroz, seja ela comprada ou feita em casa, o cozimento do mingau deve ser feito com cuidado, com 30 a 60 minutos de cocção para as pessoas normais. Para doentes, o cozimento do mingau de farinha de arroz, deve ser de 3 horas no mínimo.
A farinha de sarraceno não requer tanto tempo para cozinhar-se, mas não deve ser consumida por doentes yang nem por pessoas com problemas de ulceração de qualquer tipo, hemorragia, feridas, pressão alta, hemorróidas, inflamação, etc., especialmente na época de calor ou no frio, para as pessoas friorentas.

Creme de kuzu, creme de milho ou polenta de sarraceno cozido


O creme de araruta é especialmente indicado nos casos em que haja distúrbios digestivos nos quais se apresente uma tendência aos intestinos soltos ou diarreia. No caso de diarreia ou recuperação de quaisquer distúrbios do apare lho digestivo, o creme de kuzu deve ser consumido com o acréscimo de um pouco de carvão pulverizado de ameixa umeboshi, no fim do cozimento, antes de apagar o fogo.
A preparação do creme de araruta é simples: dissolve-se 1 ou 2 colheres (sopa) de farinha de kuzu em 1 a 2 copos de água fria, mistura-se bem e leva-se ao fogo fraco, sempre mexendo, até que o creme fique transparente, fervendo de dez a quinze minutos. Para casos de intestino solto ou diarreia, pode-se adicionar de 1 a 2 ameixas umeboshi (carbonizadas e pulverizadas, nos casos mais graves) que podem ser cozidas junto com o creme. No final do cozimento, adiciona-se normalmente um pouco de molho de soja, misturando bem antes de apagar o fogo.
Hoje em dia é preciso tomar cuidado ao comprar o kuzu, a maior parte da "kuzu" comercializado vem adulterada com farinha de fécula de mandioca ou batata, que são muito yin, produzindo um efeito contrário ao desejado.
A polenta de milho são pratos bastante yin, recomendado somente para pessoas yang. Especialmente inadequado para pessoas com distúrbios circulatórios ou cardíacos, bem como qualquer tipo de problema yin (enfraquecimento, etc.). Em todo caso, o milho, seja em grão ou farinha, deve ser consumido apenas após longo cozimento e seu uso não deve ser diário, ainda que por pessoas não doentes.
O trigo sarraceno cozido é um excelente prato para o inverno. Um cereal yang que deve ser evitado durante a época de calor.

Pão de farinha de trigo integral e pão de frigideira, tipo chapati, sem fermento


As farinhas em geral, inclusive as de arroz, trigo serraceno e trigo integral, não devem ser consumidas diariamente por pessoas com algum tipo de afecção. O ideal é consumir os grãos inteiros, cozidos. Os grãos de trigo, porém, são bastante difíceis de mastigar e relativamente indigestos e é por isso que a maior parte dos povos do mundo usa o trigo em forma de farinha.
As pessoas com acumulação de muco, gordura, água ou catarro, bem como, aqueles com afecções digestivas ou com problemas inflamatórios, não devem consumir pão. Mesmo as pessoas em estado aparentemente "saudável" não devem exceder-se no seu consumo. Os doentes em geral podem consumir apenas o pão de frigideira, desde que não tenham dificuldades digestivas e com moderação.
Ocasionalmente a massa de pão de frigideira pode conter sobras de verduras e legumes cozidos.
É preciso lembrar-se sempre da necessidade e importância da boa mastigação, especialmente ao consumir pão.
Para o seitan as mesmas recomendações das farinhas.

Biscoitos de cereais integrais e pipoca de arroz integral


Para os biscoitos de cereais integrais, as restrições e recomendações são similares às do pão de frigideira.
É claro que existe um sem número de formas de preparação dos biscoitos com muitas receitas. No entanto, não se deve cair no vício de "beliscar" um bocado fora do horário normal refeição.
A pipoca de arroz pode ser preparada deixando-se os grãos de arroz integral de molho durante um ou dois dias (trocando a água, se necessário) e depois tostá-lo até arrebentarem, numa frigideira, ao fogo médio ou forte, sempre mexendo, para não queimar. Esta forma de consumir o arroz é bastante yang e pode provocar sede, sendo porém muito prática para viagens. Basta mastigar muito bem.

Macarrão de farinha de trigo integral ou sarraceno feito em casa


O macarrão feito em casa pode ser um prato muito adequado, com possibilidades inúmeras de preparação diferentes. Lembrando sempre da importância da boa mastigação, o macarrão pode ser consumido com as mesmas recomendações que para as farinhas em geral e o macarrão feito com farinha de trigo-sarraceno.
É preciso ressaltar que no comércio há dezenas marcas de "macarrão integral" ou "natural" adulterados com farinhas diferentes das de trigo integral ou sarraceno.
Não se recomenda o seu uso.

Os alimentos secundários


Os alimentos complementares nunca devem exceder a 40% da comida total. A maneira de preparação destes vai determinar uma boa parte da recuperação ou não de uma pessoa doente e, até, a estabilidade física ou psíquica de uma família.
A maioria dos homens que não obtém resultados imediatos com a adopção de uma dieta alimentar mais coerente, devem procurar a causa de tal demora na ausência de uma preparação adequada do alimento principal e dos pratos secundários. Não há outro factor em que se pode encontrar a causa fundamental do fracasso de um indivíduo ou de uma família, senão na atitude ou habilidade da pessoa que prepara os alimentos.
Às vezes muitas pessoas se queixam de não obter o resultado desejado na recuperação. Nesses casos, quase invariavelmente se trata de um marido cuja esposa, apesar de lhe preparar os alimentos de uma maneira aparentemente adequada, apenas os serve ao marido, dedicando-se, ela mesma, ao consumo de alimentos industrializados prejudiciais. A mulher que não acompanha o marido ou os filhos numa alimentação mais adequada, faria mais bem a estes se os abandonasse de uma vez! Esse alimento, apenas servido, sem ser consumido por quem o prepara, poderia ser chamado de "comida de brinquedo" pois a pessoa que prepara tal tipo de comida não sabe que tipo de efeito está provocando a alimentação. Não é possível uma pessoa preparar um tipo de alimento adequadamente e ela somente consumir outro sistema de alimentação. A esposa que toma esse tipo de atitude desleal ainda não está casada e, caso persista, somente prejudicará ao marido. Seria melhor se o próprio esposo preparasse os alimentos, do que aceitar esse tipo de comida "de brinquedo".
Existem diversos casos de piora nas condições físicas e psíquicas de homens cujas esposas não os acompanham num regime mais sensato. De fato, qualquer pessoa doente não deve permitir-se ser alimentado por uma pessoa que não come a comida que prepara. Seria melhor ele mesmo desenvolver seus dotes culinários e preparar seu próprio alimento, o que, alias, pode tornar-se uma divertida tarefa.

Ameixa japonesa salgada (umeboshi)


As umeboshi são um tipo de ameixa com uma trabalhosa preparação em sal e sol, durante longo tempo. São bastante yang e têm o efeito de alcalinizar o sangue, e eliminar os excessos de ácido oxalacético do organismo, graças ao seu conteúdo de ácido cítrico alcalino. Em quase todos os casos de doença yin, as ameixas umeboshi são recomendadas desde que não levem ao doente a um consumo excessivo de líquidos.
Neste último caso, o seu consumo deve ser regulado, ou a sede suportada.
Esta ameixa pode ser consumida (amassada, com umas gotas de molho de soja) sobre o arroz desde 2 ou 3 vezes por mês, até várias por dia, nos casos muito extremos de yinização, ou deterioração da qualidade sanguínea, quando, por exemplo, se formam feridas espontâneas. Claro que será prejudicial ingerir umeboshi e depois compensar a yanguinização consequente com um excesso de líquidos ou alimentos yin.
Por isso seu consumo deve ser restrito ao mínimo necessário.
Frequentemente se recomenda manter o caroço da umeboshi na boca, durante várias horas, para aumentar a secreção salivar que tem efeitos surpreendentemente benéficos sobre todo o organismo e, em especial, sobre o aparelho digestivo.

Gersal (Gomásio)


O gersal é um condimento preparado com sementes cuidadosamente tostadas e moídas de gergelim preto ou branco (uma semente oleaginosa), junto com sal marinho tostado e finamente moído. A proporção de gergelim/sal geralmente recomendada é de 9/1.
Este condimento deve ser consumido em quantidades mínimas e somente se a pessoa tem certa aceitação do óleo contido nas sementes de gergelim. No caso de doentes com problemas hepáticos se recomenda não consumir gersal ou, se não, fazê-lo de maneira eventual. Em todo caso, é muito comum que a pessoa yin queira usar uma quantidade excessiva de gersal o que provocará muita sede e promovendo uma yinização maior ainda. Não se deve ocultar o subtil sabor do arroz integral com o condimento de mesa.
A preparação do gersal deve ser muito cuidadosa, desde tostar as sementes de gergelim ao ponto exacto (sem queimá-las), até moer tudo, misturando completamente o sal com o gergelim moído. Idealmente, cada pequena partícula de sal deve ficar recoberta de uma camada de óleo, o que provocará menos sede.
O gersal também é um alcalinizante da corrente sanguínea e não deve ser usado por pessoas com pressão alta ou com restrições ao uso do sal.

 

Verduras e legumes com molho de soja (shoyu) ou massa de soja (misso)


Raízes, legumes e verduras cozidas: bardana, cenoura, daikon (nabo branco comprido), rabanete, raiz de lótus, nabo, abóbora hokkaido ou cabacinha, couve chinesa, nirá (cebolinha chinesa), agrião, cebola, alho francês, couve-flor, inhame, bróculos, cebola, aipo, pepino, feijão verde, alface.
Estes são os alimentos que são mais consumidos dentre os alimentos complementares. Uma pessoa doente deveria simplesmente escolher os alimentos, desta categoria, mais adequados para seu uso (se a pessoa está numa condição muito yin ele deveria escolher apenas as verduras e legumes mais yang, por exemplo, bardana, raiz de lótus, cenoura, daikon, nabo branco seco, agrião, cebolinha, etc).
A variação na preparação e no consumo destes alimentos pode ser infinita, se existir uma pessoa dedicada à cozinha.
Na preparação destes alimentos não se utiliza azeite nem outros condimentos que não sejam o molho de soja ou massa de soja.
Para saber que vegetais são mais yin e quais são yang, diremos que o cereal é o mais neutro, que as raízes tendem a ser mais yang (dominadas pela força centrípeta em relação à Terra e que as folhas tendem a ser mais yin (dominadas pela força centrífuga). Porém, na prática, a única forma de saber é provando com um e outro tipo, até reconhecer o seu respectivo efeito físico e mental ao nosso organismo.

Sopa de verduras temperada com molho soja ou misso


O consumo de líquidos em geral deve ser restrito ao mínimo possível necessário e isto se aplica às sopas também. Em geral vemos muitas pessoas chamadas macrobióticas que ingerem sopa diariamente, duas ou três vezes ao dia! Isso não está correcto.
As pessoas com problemas de causa Yin não devem consumir sopas e aqueles que têm algum tipo de afecção renal tampouco devem fazê-lo até que a sua condição se restabeleça e ainda assim manter restrito o seu consumo ao mínimo indispensável.

Verduras refogadas ou fritas


 As verduras fritas ou refogadas devem ser consumidas apenas pelas pessoas que não estão queixando-se de alguma afecção, especialmente no aparelho digestivo e principalmente no sistema hepático. No caso de pessoas com afecções menos graves é admissível o consumo de verduras refogadas, com um mínimo de óleo de gergelim prensado a frio ou outro óleo de boa qualidade. O consumo de verduras fritas é restrito àqueles que não apresentam sintomas de má digestão, problemas de pele, dores nas juntas, etc., e mesmo assim, apenas ocasionalmente e em proporções moderadas.

Alga grossa cozida com molho de soja


As algas são uma excelente fonte de sais minerais e devem ser consumidas numa dieta adequada. No entanto, alguns fanáticos macrobióticos se dedicam a consumir algas de qualquer qualidade e em excesso. Isso não está certo. Na dieta anterior dessas pessoas, elas provavelmente nem sequer haviam provado algas marinhas e por isso o aparelho digestivo não está preparado para assimilar os nutrientes contidos nesse alimento. O ideal, portanto, é que se vá introduzindo as algas na dieta, pouco a pouco, consumindo-as com moderação algumas vezes por mês.

 

Alga hijiki ou alga wakame (alface do mar) cozidas com molho de soja


As algas hijiki são um tipo yang de algas, combina-se muito bem com várias preparações de outros vegetais. As wakame são um tipo mais tenro de algas e se desmancham facilmente durante a cocção.

Sopa de feijão azuki com alga grossa ou abóbora hokkaido


Para esta preparação se aplicam as restrições ao consumo de líquidos. Além disso, o uso desta sopa fica restrito às pessoas que não sejam susceptíveis a distúrbios intestinais, especialmente intestinos soltos ou diarreias.

Grão bico ou feijão fradinho cozidos


Estas leguminosas, com efeitos similares ou mais acentuados que o feijão azuki, não devem ser consumidas por pessoas que tenham excessiva soltura de intestinos, gases, acidez estomacal, ou outros distúrbios gastrointestinais. As pessoas diabéticas ou com tendência à diabete não podem comer grão-de-bico.

Peixe assado, cozido ou grelhado


Pargo, linguado, pescada, tainha, perca, bacalhau, camarão, lagosta, carapau, lula, dourada, carpa, etc.)
Dentre as formas de consumir produtos de origem animal, o peixe é a que menos restrições apresenta. Uma chave para a dieta macrobiótica é: "Do Yin, comer o Yang e do Yang, comer o Yin". Isso significa que se temos vegetais (yin) devemos consumi-los de uma maneira yang: cozidos, com sal e sempre escolhendo os vegetais mais yang. Mas se vamos consumir um produto de origem animal, devemos optar pelos animais mais yin como o peixe ou as aves. Se usamos carne de mamíferos como alimento, escaparemos facilmente da ordem do equilíbrio biológico e fisiológico.
Mesmo dentre os peixes, recomendamos que se opte por aqueles que são mais yin. A carpa é um peixe que é bastante mais yin (menos yang) do que outros. O linguado, a pescada, e outros peixes de carne branca e com escamas, também são menos yang. Os peixes sem escamas e com carne vermelha pedirão ao organismo um maior esforço de equilíbrio. Em casos de inflamação, evite-se o uso de peixes.
Recomenda-se que a quantidade de peixe consumido não ultrapasse uns 15 por cento do total da refeição. Recomenda-se também que o peixe seja preparado com produtos vegetais variados e que seja condimentado com gengibre fresco ou nabo branco comprido fresco ralado. Estes dois últimos promovem uma maior facilidade em neutralizar e digerir o alimento de origem animal.

Coalho de soja (tofu), tempeh,  fresco ou cozido com molho de soja


O tofu  e o tempeh, deve ser consumido com moderação, especialmente por aquelas pessoas afectadas por algum problema de causa yin. Não se deve usar abundantemente ainda que tudo pareça estar normal com o organismo. Especialmente com perturbações digestivas devem se moderar ou evitar mesmo o uso de tofu. As pessoas com enfraquecimento cardíaco não devem consumir tofu.

Frango ou galinha assada, cozida ou grelhada; omolete de ovo galado

 

O mesmo comentário a respeito do consumo de peixe ao uso de aves e ovos e com ênfase ainda no facto de as aves e os ovos serem alimentos mais yang do que o peixe.
É necessário ressaltar que o consumo de ovos é adquirido principalmente pelas espécies animais de sangue frio, como o lagarto e a serpente. O ser humano, que já possui certa temperatura corpórea não os deveria consumir. Além disso, as aves e ovos comercializados actualmente são absolutamente envenenados com antibióticos e outros elementos nocivos que são adicionados em grande quantidade à ração das aves para efeito de engorde, incremento na postura de ovos, e "protecção" contra doenças.
A mulher que come ovos perde sua função reprodutora.

Saladas e conservas de verduras


As saladas estão restritas às pessoas que tenham uma constituição yang e ainda assim consumidas apenas durante a época de calor.
Em relação às conservas salgadas cabe ressaltar que são um alimento muito prático e adequado sempre que consumidas com moderação, pois abusar delas produz sede. As conservas de verduras promovem o restabelecimento da flora intestinal vital. As pessoas que sejam portadoras de úlcera duodenal ou afecções renais devem limitar o seu consumo de conservas salgadas.

Frutas (maça cozida ou assada, melancia, morango de quintal, cereja, etc.), a mínima quantidade possível


As frutas devem ser consumidas ocasionalmente e apenas na primavera ou verão. Em geral, a única fruta recomendada é a maçã cozida ou assada, com uma pitada de sal marinho.
É interessante notar que até poucos anos atrás não existiam frutas na quantidade e variedade exageradas que se encontram à venda hoje. Realmente, quando chega a estação de frutas, em pouco tempo elas se esgotam, caindo da árvore ou sendo comida pelos passarinhos, inevitavelmente. Foi o rendoso comércio de artigos de alimentação que proporcionou a possibilidade de ingerir frutas o ano inteiro.
É também interessante verificar que a função bioecológica da polpa da fruta é a de apodrecer, criando um ambiente rico em matéria orgânica, humidade e vida bacteriana para que a semente suporte os raios do sol e brote eficientemente. Esse (apodrecer) é a função da polpa da fruta. Quando a comemos, acontece o mesmo processo, só que dentro do nosso organismo. Por isso é que quem utiliza sempre frutas possui uma forte tendência para infecções e outros problemas mais graves ainda. Deve-se usar a menor quantidade possível de frutas e ter cuidados para que as frutas não entrem dentro da dieta de uma pessoa doente. As mulheres que tem tendência ao sangramento no aparelho reprodutor devem evitar as frutas, por completo.
Quando comemos fruta (yin), faz-se necessá­rio a busca do equilíbrio, o que é pratica­mente impossível com o arroz integral. O trigo-sarraceno é um pouco mais yang. Entre­tanto, para equilibrar uma grande quantidade de potássio (fruta) seria preciso uma quanti­dade de trigo-sarraceno muito superior à que temos capacidade de absorver. Os produtos animais e o sal são os produtos aos quais poderíamos recorrer. Os produtos animais tem um carácter neutralizante em relação ao yin (fruta), devido ao grande teor de sódio que são constituídos. Contudo esse sistema não representa nenhuma vantagem, porque um grande índice de toxinas irá sobrecarre­gar o organismo no processo de eliminação, a carne produz a cadaverina, que segundo alguns estudos científicos é como se sabe a toxina responsável pelo envelhecimento pre­coce. A segunda solução é o sal. O cloreto de sódio é um alimento extremamente yang (cerca de 250 gramas de sal, se ingerida de uma só vez por uma pessoa, poderá matá-la) e por isso provoca uma yanguização muito rápida, violenta, portanto não aconselhável seu uso mais que o necessário, de modo a que não provoque sede.

Bebidas


Chá de arroz integral tostado ou carbonizado


O Chá de arroz tostado é uma das bebidas que podem ser utilizadas diariamente.
Como específico, o chá de arroz integral é recomendado nos casos de febre persistente nas crianças, além de ser um óptimo alcalinizante da corrente sanguínea.
O chá de arroz carbonizado se prepara para os casos de enfraquecimento e hemorragia em pessoas com uma condição extremamente yin com tendência de sangramento vaginal/uterino, hemorragia nasal persistente, etc.

Chá de artemisia


O chá de Artemisia é indicado para problemas de parasitas, pressão alta e icterícia, sendo ainda, eficaz nos casos de cálculos da bexiga, fraqueza estomacal, gases, etc.

O chá de Folhas de Três Anos (Banchá)


O chá de Folhas de Três Anos (Banchá) é um dos chás mais populares na Macrobiótica, sendo digestivo e alcalinizante do sangue. É um chá yang que pode provocar sede nas pessoas yang, durante a época do calor.

O chá de raiz de Lótus


O chá de raiz de Lótus tem sido usado tradicionalmente para todo tipo de problema do aparelho respiratório.
É um chá bastante yang que quando utilizado em forma concentrada também é muito eficaz nos casos de hemorragia em geral, inclusive menorragia, sangramento uterino provocado durante o parto, etc.

O chá de Cevada Perolada


O chá de Cevada Perolada é utilizado como depurativo do sangue e regenerador geral do organismo, sendo por isso, muito eficiente nos casos de doenças degenerativas como o câncer.

O chá de folhas de Abacate


O chá de folhas de Abacate , sendo utilizado nos casos de intestino solto ou diarreia. É também muito útil para provocar a menstruação nos casos de atraso.

O chá de Dente-de-Leão


O Dente-de-Leão é considerado o "Rei das Plantas Medicinais", sendo um dos mais poderosos depurativos do sangue intoxicado por anos de consumo de alimentos inadequados. É muito útil nas afecções do aparelho urinário, bem como nas afecções hepáticas.

Chá de folhas de goiaba, carqueja


O chá de folhas de Goiaba é utilizado para combater soltura excessiva dos intestinos como nas diarreias. Este chá, com a adição de duas a três colheres (café) de sal para cada copo, pode ser utilizado externamente, em gargarejos, nas afecções da garganta.
O chá de Carqueja além de ser uma excelente bebida digestiva, constitui-se numa das mais conhecidas preparações para problemas de origem hepática. Eficiente também nas afecções estomacais, é considerado também como tónico geral do organismo.

O chá  Boldo


O chá  Boldo é um tónico orgânico muito eficaz nas afecções hepáticas, inclusive hepatite. Também eficiente nos casos de dificuldades gástricas, este chá é comummente utilizado nos casos de insónia.

Chá de Camomila


O chá de Camomila é conhecido no mundo todo como eficiente remédio para as disfunções estomacais, como nos casos de dispepsia, cólicas, gastralgia, indigestão e falta de apetite. Ainda, é utilizado como febrífugo e vermífugo, nas crianças.

Chá de folhas de três anos com molho de soja


Esta preparação serve para contrabalancear uma condição de enfraquecimento geral do organismo, bem como nos casos em que o coração se encontra dilatado e quando há acidificação sanguínea, dor de cabeça, tontura, e também quando se formam feridas espontâneas (casos de extrema acidificação e intoxicação).
É preciso ressaltar que tanto a ameixa salgada como molho de soja, podem provocar sede excessiva e, portanto, não são recomendados às pessoas portadoras de problemas renais e hipertensão, pelo alto teor salino.

Observações

Deve-se mastigar separadamente os alimentos secundarios e principais
O recomendável é que se tomem três ou quatro bocados de arroz e depois um bocado do prato secundário mais yang. Então, outros três ou quatro bocados de arroz e um bocado de alimento secundário menos yang do que o primeiro e, assim progressivamente, alternando entre principal e secundário, de yang para yin sempre mantendo o alimento neutro, arroz), como eixo da refeição.

Não se usa alimentos ou bebidas geladas.

Deve-se mastigar e ensalivar muito bem, no
 mínimo, 80 vezes

Se a pessoa está em uma condição de doença mais grave e mais enfraquecida, deve mastigar ainda mais até 150 vezes.
A quantidade (volume) ideal de alimento, cada bocado é de aproximadamente 8 a 9 gramas de arroz integral cozido, para as pessoas adultas o que equivale mais ou menos a 130 a 150 grãos. A qualidade ideal da mastigação é de 120 a 160 movimentos por minuto. Esse é o padrão.
A decisão de mastigar adequadamente é a última e mais importante atitude física que se pode tomar em relação ao alimento, antes que este entre para os processos involuntários da digestão.

O consumo de líquidos deve apenas satisfazer a sede


Não se deve consumir líquidos apenas por hábito, ou sem necessidade. Justamente, o controle da quantidade de líquidos ingerida é responsável por grande parte da eficácia da terapêutica alimentar da Macrobiótica e a chave da vida. Quando se sente sede excessivamente, não se deve solucionar essa situação através do consumo excessivo de líquidos e sim analisar quais foram os factores que provocaram essa sede. Especialmente, o controle do consumo de sal permite o controle no consumo de líquidos. No controle da ingestão de sal e líquidos está a chave do auto-controle individual.

Deve-se limitar os banhos apenas ao necessário

Quando uma pessoa adopta a dieta recomendada acima, diminui notavelmente a eliminação por via da pele, que se mantém mais limpa. É óbvio que as pessoas que trabalham intensamente em actividades físicas e que por isso transpiram mais tem uma maior necessidade de banhos. Uma recomendação muito adequada, especialmente para aquelas pessoas que são acometidas de problemas circulatórios e fraqueza é de se fazer, diariamente, um vigoroso esfregamento sobre toda a pele do corpo com uma toalha húmida até que a pele fique inteira avermelhada. As pessoas resfriadas ou gripadas devem limitar os banhos ao máximo.

Ginástica rítmica global  (ritmopratica) diariamente


Essa recomendação é da maior importância e nem tolas as pessoas são conscientes disso. A Vida é movimento e quem se movimenta menos, está menos vivo. As pessoas que não querem praticar exercício físico não têm motivo para praticar a dieta macrobiótica. Vida é Movimento espirálico. Sem combustão não há assimilação.

Deve-se alimentar a mente também


Um grande número de pessoas acredita que apenas enchendo a barriga pode continuar vivendo adequadamente. Isso é incorrecto. Diversas pessoas fracassam na prática da Macrobiótica por falta de conhecimento adequado das Causas da Vida; conhecimento esse que pode ser obtido por meio da leitura dos diversos livros à disposição. Muitos dizem ter lido tais e tais livros, mas, na realidade, apenas "viram" as páginas, sem um aproveitamento teórico e prático da leitura.

Os tratamentos externos


Nenhum tipo de tratamento externo pode funcionar sem a atenção principal à dieta alimentar. Os tratamentos são na realidade, um complemento das recomendações alimentares.
Também é necessário assinalar que os tratamentos abaixo recomendados são de duração relativamente longa e devem ser aplicados repetida e persistentemente, com confiança na capacidade de auto-regeneração do organismo.

Compressa de sal quente


Para a desidratação infantil, diarreia e doenças originadas pela dilatação renal:

-800 a 1500 grs. de sal marinho
-Pano de algodão (60 x 60cm, aproximadamente)

Esquentar bem o sal numa panela grande. Despejá-lo sobre o pano e amarrar bem as quatro pontas, de maneira que o conteúdo fique adequadamente solto dentro do pano. Envolver este pacote em uma ou várias toalhas grossas e aplicá-lo o mais quente possível, sobre a região abdominal inferior doente, cobrindo-o em seguida com um cobertor. É preciso cuidar para não queimar a pele da pessoa, colocando frequentemente a mão entre o pacote de sal e a pele, aguardando que sal emita plenamente o seu calor. Em caso de temperatura excessiva, envolver o pacote em mais toalhas.
Manter o pacote sobre o ventre até que a temperatura do sal comece a baixar. Esquentar novamente o sal (ou providenciar o aquecimento de uma outra porção, enquanto se faz aplicação da primeira) e tornar a aplicar na mesma região para não deixar esfriar o abdómen.
Após trinta a cinquenta minutos desta aplicação, enrolar rapidamente o abdómen do doente com uma faixa abdominal levemente apertada, cobrindo bem a pessoa para preservar por mais tempo o efeito da aplicação.
Como substitutos do sal marinho, podem ser utilizados sal refinado, areia ou tijolos secos e limpos. No case de utilizar tijolos, esquentá-los directamente sobre a chama do fogão durante dez a quinze minutos de cada lado e, após alguns instantes, enrolá-los com jornal e depois com uma toalha velha. Também podem ser utilizados tijolos inteiros.

Bolsa de água quente ou fria


A bolsa de água quente tem a função de manter, de maneira bastante prática, a temperatura de uma pessoa doente e enfraquecida. Por exemplo, logo depois do parto, uma mulher sem condições adequadas pode sentir frio e, nesse caso se recomenda a bolsa de água quente. No entanto, é preciso lembrar que a condição indispensável para desenvolver a resistência ao frio é justamente enfrentar o frio.
A bolsa de água fria tem a função de abaixar a temperatura excessiva no caso de febre intensa ou de inflamação.
No entanto, existem outros métodos mais adequados para fazer abaixar a temperatura como a utilização de folhas frescas de verdura aplicadas directamente sobre a zona febril.
Nunca se deve aplicar bolsa com água gelada.

Compressa de gengibre


Alivia quase qualquer tipo de dor como nevralgias, dores abdominais de toda ordem, cólicas, dores que antecedem a menstruação, contusões, nefrite, cálculos renais, qualquer tipo de dor de estômago, apendicite, peritonite e ainda dores intensas causadas por câncer em estado adiantado, bem como muitas outras. Activa a circulação do sangue.
É proibido o seu uso nos casos em que haja hemorragia.

-150 a 200 gramas (3 a 4 cabeças) de gengibre ralado, com casca.
-3 a 4 litros de água.
Envolver o gengibre ralado no pano pequeno, formando um saquinho e amarrar as quatro extremidades com um barbante. Deve-se usar gengibre maduro fibroso, de casca grossa.
Esquentar a água numa panela e colocar o pacotinho de gengibre na água.
A água não deve chegar a ferver pois, neste caso, diminuirá o efeito da compressa. A temperatura da água deve permanecer bem alta durante o tratamento.
Segurando as pontas da toalha com os dedos indicador e polegar, torça-a bem e coloque sobre a parte afectada cobrindo com um pano ou uma toalha maior (seca) para preservar ao máximo a temperatura. A acção efectiva da compressa acontece enquanto a toalha está bem quente. No entanto, é preciso cuidar para não queimar a pele do paciente. Nos casos em que ocorra irritação ou queimaduras, pode-se passar um pouco de óleo cru de gergelim sobre a região afectada.
Quando a temperatura da primeira toalha começar a baixar, torcer a segunda toalha e aplicá-la sobre a primeira. Logo que a temperatura permitir, inverter a posição das duas toalhas e colocar a superior de volta na panela para esquentar bem.
Repetir esta operação durante aproximadamente 30 minutos. Para manter a temperatura constante da água, se utiliza um fogareiro a gás, a carvão ou eléctrico, próximo da área da aplicação.
Nunca se deve aplicar compressas (yang) sobre o coração, mas sim, emplastro frio, porque o coração que é yang poderá sofrer uma super estimulação.
Por meio da compressa de gengibre desaparece a estagnação sanguínea e o endurecimento ou frouxidão dos vasos sanguíneos, aumentando, na área de aplicação, a capacidade funcional do metabolismo das células e dos tecidos ou órgãos. O uso de remédios sedativos no tratamento mecânico da Medicina Moderna provoca à debilitação e insensibilização dos vasos sanguíneos, o intumescimento da parte doente e, também, a desestruturação da ordem original de funcionamento fisiológico.
Com a prática repetida da compressa se adquire uma crescente destreza na aplicação. A sua utilidade e eficácia não podem sequer ser comparadas a dos remédios farmacêuticos. O seu efeito é de um benefício enorme que se estende à pessoa que está aplicando a compressa, atingindo o pulmão através do contacto com as mãos, promovendo uma purificação do sangue do próprio aplicador.
Caso o tratamento não surta efeito, deve-se corrigir o método, pois aplicação não falha. Quanto maior a prática melhor e mais rapidamente aparece o resultado.

Banho de assento de clorofila

O banho de assento de clorofila se faz com folhas de nabo branco comprido, secas à sombra. Tem um efeito extraordinário actuando na recuperação das afecções dos órgãos genitais, má circulação em geral, catarro intestinal, catarro ou inflamação na bexiga, hemorróidas e diversos tipos de afecção cerebral (especificamente aquelas provocadas por má circulação sanguínea e falta de irrigação de sangue na região craniana). O banho de assento é recomendado às mulheres gestantes e não deve ser utilizado durante o período menstrual nem em casos de hemorragia.
Ferver as folhas secas de nabo branco comprido em 10 a 15 litros de água durante 10 a 20 minutos, até que a água fique amarelada. Nos casos de tendência à fraqueza ou anemia, adicionar 2 colheres (sopa) de sal marinho, durante a fervura.
Despejar aproximadamente 2/3 desta decocção numa tina de madeira, de 30 a 35 cm de profundidade, por 45 a 50 cm de diâmetro, adicionando água fria até alcançar uma temperatura suportável, porém, a mais quente possível.
Sentar-se no centro da tina, cobrindo os ombros com uma toalha e tomando cuidado para que a água não passe do nível do umbigo. As pernas devem ser mantidas fora da tina e nunca submersas na água.
Observações: quando se senta directamente sobre o fundo da tina, absorve-se rapidamente o frio do chão, diminuindo, dessa forma, o efeito do banho. Para evitar isso, aconselha-se colocar uma toalha no fundo da tina, o que funcionará como isolante térmico.
Para que a água se mantenha sempre na temperatura máxima suportável, o 1/3 restante da água fervente deve ser a pouco, despejando-o pela lateral frontal
Para aumentar o efeito do banho, se aconselha, durante o mesmo, fazer movimentos laterais com as coxas.
A duração do banho de assento é de 20 a 30 minutos, depois dos quais deve-se enxugar com uma toalha e, agasalhando-se bem, deitar-se. Quando se sentir cansaço ou fraqueza após o banho, pode-se tomar banchá com uma colher (chá) de molho de soja. Esta preparação também pode ser tornada antes do banho.

  

Emplastro de inhame com gengibre


Contra dores, inflamações, doenças internas febris, etc., o emplastro ou cataplasma de inhame também é muito útil para extrair objectos para fora do corpo, como no caso de espinhos, farpas de madeira, metal ou vidro, etc., sendo muito eficiente nos casos de contusão com ferida. A duração efectiva da cataplasma de inhame é de 4 a 5 horas, aproximadamente. Em casos agudos é necessário fazer nova aplicação a cada 3 ou 4 horas, sempre alternando com a compressa de gengibre. Em alguns casos agudos como feridas, fracturas, queimaduras, etc., não é necessário o uso da compressa de gengibre.
Preparação:

-4 ou 5 inhames brancos de tamanho médio (a quantidade de inhame depende da área a ser tratada). -
-1/2 cabeça de gengibre (10% da quantidade do inhame)
- farinha de trigo branca
-um pedaço de pano de algodão
- uma faixa longa de pano de algodão

Retirar a casca dos inhames, raspando lateralmente o fio da faca e ralá-los crus. Não se deve utilizar inhame com manchas avermelhadas sob a casca, uma vez que esse tipo de inhame provoca irritação na pele.
Descascar e ralar o gengibre.
Adicionar a estes ingredientes à farinha de trigo, pouco a pouco, até obter uma massa uniforme e pastosa, que quase não grude nos dedos. Espalhar directamente sobre o local a ser tratado, com 1,5 cm de espessura. Para que o emplastro não se desloque da parte afectada, esta última deve ser enrolada com a faixa de algodão.
É proibido o uso de plástico para cobrir o emplastro já que esse material gera o sufocamento e isolamento das funções fisiológicas, criando também, um outro factor negativo: a electricidade estática.
O doente pode ser alérgico ao inhame. Basta colocar pouco da massa de inhame ralado sobre o dorso da sua mão, para saber se este produz coceira ou irritação. Nesse caso convém passar óleo de gergelim na área da pele que entrará em contacto com o emplastro.
No caso de tratamento de queimaduras, o emplastro de inhame deve ser feito sem farinha e sem gengibre. O gengibre aumentaria a ardência da queimadura e a farinha, ao se secar ao emplastro, ficaria aderida à ferida. O mesmo é recomendado nos casos de tratamento de feridas abertas.
O emplastro de inhame é de grande efeito no tratamento de doenças internas febris e inflamativas. Nos casos de doenças sem febre e sem inflamação, será necessário esquentar o emplastro, colocando por cima dele, um saquinho, do tamanho do emplastro, de sal marinho bem quente numa panela, ou uma bolsa de água quente. O melhor que há para manter a temperatura bem quente é um konyakku inteiro cozido por bastante tempo, usado no lugar do sal ou da bolsa. Uma, inflamação pode ser yin ou yang. Caso seja yin, será recomendável esquentar, o emplastro para intensificar o efeito.
Nos casos de afecções agudas (com febre superior a 38ºc) convém substituir o emplastro de inhame pelo de tofu, até que abaixe a tempera.
O endurecimento provocado pelo câncer também desaparece através da aplicação deste emplastro, sempre que seja precedido de compressa de gengibre, 3 a 4 vezes por dia, durante 3 a 4 semanas ininterruptas. Um tratamento comprovado por meio de inúmeras experiências. O resultado varia segundo a capacidade de concentração da pessoa que aplica. Quanto mais concentração e prática, melhor o efeito.
Podem aparecer ocasiões em que seja necessário aplicar dois tipos de emplastro simultaneamente. Por exemplo, nos lembramos de uma batida de automóvel contra um caminhão de garrafas, no qual a vítima recebeu uma forte pancada na cabeça que ocasionou uma hemorragia cerebral. Ao mesmo tempo, uma infinidade de farpas de vidro de garrafa se incrustaram profundamente na pele do peito e do rosto. Aplicamos imediatamente o emplastro de tofu para fazer cessar a hemorragia e, simultaneamente, o de inhame, no rosto. As farpas de vidro foram logo expulsas, sem sequer deixar marcas.
É sempre necessário praticar. Doentes não faltam mundo actual.
Uma das razões pelas quais a aplicação de inhame pode não apresentar o resultado desejado, é a quantidade de massa utilizada, que muitas vezes é insuficiente. Quando isso acontece, o tratamento não tem efeito e perde-se erroneamente o interesse por ele.
A falta de inhame, este pode ser substituído por batata comum. Nesses casos é recomendável adicionar 50% de folhas verdes maceradas que contém clorofila. No entanto, essa aplicação não será tão eficaz como o inhame.
O nosso organismo funciona perfeitamente e a sua tendência é sempre a de voltar à normalidade. A função dos tratamentos aqui recomendados é de permitir ou facilitar as medidas que o próprio organismo precisa tomar para restabelecer as suas condições normais de funcionamento. Existem até mesmo inúmeros casos de cirurgia caseira por meio de emplastro de inhame, ocasiões essas em que se favoreceu a eliminação de quistos e tumores (e até mesmo objectos como gase e algodão, esquecidos por cirurgiões), de dentro de pacientes, de maneira progressiva, indolor, sem riscos e a baixo custo.
O efeito do emplastro de inhame é realmente fabuloso!
De fato, ao aplicar-se o tratamento da Autocuraterapia persistentemente, com certa prática e conhecimento, o organismo sempre reage adequadamente.

Emplastro de tofu (coalho de soja)


O emplastro de tofu é muito eficiente em casos graves e agudos de hemorragia cerebral ou derrame cerebral (apoplexia), meningite, meningite cérebro-medular e contusão ou hemorragia cerebral provocada por batidas fortes. Usado também nos casos de queimaduras da pele como aplicação no local e como segunda opção (se não se puder aplicar o emplastro de carpa ou outro peixe similar) no tratamento de pneumonia aguda. O emplastro de tofu também é recomendado para neutralizar a taquicardia intensa e as dores no peito, aplicando-se sobre o tórax, nas pessoas com sintomas yang.
Também é recomendado para casos agudos de febre (mais do que 38º C), como é frequente na amigdalite, inflamação no aparelho genital, parotidite (caxumba) e muitos outros problemas.
Nos casos de disenteria e desidratação infantil, a febre alta (que frequentemente provoca meningite) pode ser mantida numa temperatura segura até que o problema se resolva naturalmente.
Elementos necessários:

-1,5 a 2,0 kg de tofu .
-10 a 20% de farinha branca de trigo

Cortar o tofu em fatias. Cobrir uma tábua com um pano e colocar ordenadamente as fatias sobre o pano, formando uma sanduíche com outro pano, por cima das fatias e outra tábua por cima de tudo. Apoiar a tábua inferior sobre alguma elevação para que fique em desnível e, dessa maneira, a água em excesso, do tofu, escorrerá. Colocar um peso de 2 a 3 kg sobre a tábua superior para acelerar a eliminação da água.
Quando a água tenha sido eliminada, desmanchar as fatias de tofu e misturar com 10 a 20% de farinha branca. Espalhar a massa uniforme obtida, sobre um pano, na espessura de 1,5 a 2,0 cm. Se a aplicação for feita na cabeça, a massa de tofu deverá cobrir totalmente o crânio. No lugar do pano para a aplicação sobre a cabeça, também podem ser utilizadas folhas de repolho dentro das quais se coloca a massa de tofu. O lado da cabeça que tenha sofrido a hemorragia deverá receber uma camada mais espessa de tofu. A aplicação deste emplastro deve durar aproximadamente 2 horas, inclusive nos casos agudos, com raras excepções. Nos casos de queimaduras externas, o emplastro de tofu deve trocar-se 3 a 4 vezes por dia. Nos casos de hemorragia cerebral, antes de aplicar o emplastro, deve-se cortar rapidamente todo o cabelo do paciente com tesoura ou com lâmina de barbear. O emplastro deve ser aplicado na cabeça e fixado com uma faixa comprida de pano de algodão. Nos casos de inflamação dolorosa, o emplastro de tofu deve ser aplicado localmente para atenuar o processo inflamatório e fazer cessar a dor.